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sexta-feira, outubro 26

Shut Up and Play the Hits

Aproveitando o DocLisboa finalmente pude ver este filme à noite no LuxFrágil. Como fã dos LCD Soundystem, e seguidor devoto que nunca teve oportunidade de os ver ao vivo, à imenso tempo que esperava a oportunidade. Infelizmente devido a factores que me escapam, políticas editoriais possivelmente, só ontem de se deu a ante-estreia em Portugal. A escolha do espaço creio que é uma novidade, mas devido à temática enquadra-se perfeitamente.

É óbvio que uma discoteca não é uma sala de cinema, nem é facilmente adaptável. ainda por cima a pequena multidão que foi atraída fez com que assistir ao filme não fosse uma experiência cómoda, antes pelo contrário, as pessoas apertavam-se e atropelavam-se para improvisar um assento. Ou arriscavam um torcicolo para encontrar uma linha de visão para um dos ecrãs que enchem o piso superior. A verdade é que assistir a um concerto nunca é cómodo, muito menos um concerto onde a sala está cheia, temos de transcender o desconforto físico e deixar-nos levar pela música e fundir-nos na multidão. Para mim no computo final esta escolha foi desconfortável mas brilhante.

O filme supostamente é sobre o fim da banda, o último concerto que marca o fim de um fenómeno meteórico e inesperado. Com efeito este é o cenário em que tudo se passa, mas o tema central é James Murphy. Uma pessoa normal que gosta de ser uma pessoa normal, fazer música porque gosta. Uma estrela da música tardia, que teve o seu grande sucesso já perto dos 40. Através de uma janela de alguns dias fomos projectados para uma vida normal, com as suas alegrias e tristezas, preocupações normais, frustrações e triunfos. Alguém que se considera estranho e que gosta de fazer coisas estranhas. Para quem quiser tentar ler a moral da história há uma mensagem de esperança e de  humildade, rodeia-te dos teus amigos, faz o que gostas, dá tudo.

Este documentário é algo mais que um documentário sobre uma banda ou um concerto, é uma reflexão sobre a arte, e o que nos percorrer novos caminhos, chegar mais além. E claro sobre a natureza humana.

terça-feira, dezembro 16

O Presente: Uma Dimensão Infinita

O BES resolveu abrir a sua colecção de fotografia aos olhos do público, sob o título de "O Presente: Uma Dimensão Infinita" é possível ver cerca de 300 fotografias no Museu Colecção Berardo até ao final de Janeiro. Fui até lá este fim de semana e confesso que apesar de ter gostado bastante de algumas fotos não fiquei muito impressionado no geral. Mas a iniciativa é de louvar, e agradecer ao BES que é o proprietário da maior colecção de fotografia em Portugal a iniciativa de partilhar o seu espólio de forma gratuita.

Ainda deu para participar num pequeno passatempo de Natal organizado pela loja do Museu, em que os visitantes eram convidados a participar na criação de um postal de Natal com a ajuda de Pedro Cabrita Reis.

segunda-feira, março 17

War Photographer

Sempre que entro na Fnac dá-me algum capricho e muitas vezes é difícil resistir à tentação de agarrar nalgum livro, num CD, ou seja lá o que for. O meu último impulso consumista foi DVD mostruário do Festival Pictoplasma, "Characters in Motion 2" é uma compilação de muitas pequenas curtas que mostram o que está na vanguarda da animação. O tema de fundo é aparecimento de novas formas de explorar a animação, a conquista de vida própria e personalidade por parte dos personagens animados. Talvez uma separação entre a animação comercial e a arte, o Vasco Granja iria ficar orgulhoso.

Deixo-vos com War Photographer, um videoclip animado para uma das músicas de Jason Forrest. Há mais gente representada, como os TV on the Radio, com Me-I.

quarta-feira, janeiro 9

Persepolis

Uma das poucas (mas boas) ofertas que recebi este Natal foi o livro Persepolis, de Marjane Satrapi. Sem dúvida quem fez a oferta pensou no meu gosto pela BD, não sei até que ponto os meus sogros me conhecem, mas acertaram em cheio (obrigado Carmen e Ricardo). O livro de cariz autobiográfico relata a vida e as experiências da autora, que está intimamente ligada a um país e uma cultura, digamos antes à opressão de um país e de uma cultura. Satrapi nasceu no Irão, quando este ainda era governado pelo Sha. Logo nas primeiras páginas ficamos a saber um pouco mais sobre a história milenar da Pérsia, e de como convulsão atrás de convulsão o grande império dos tempo antigos se transformou num regime islâmico e opressor depois de ter sido espremido pelas garras avarentas do Ocidente.

Mas o centro da accção é a própria autora, após crescer numa família liberal e letrada, e estudar no liceu francês de Teerão dá-se a revolução islâmica que transforma toda a vida no país. Vê.se de repente a usar véu, presencia a estranha e súbita mudança de discurso dos professores. Ao estalar a guerra os pais, prudentes, mandam-na para Viena onde prosseguem as peripécias da jovem menina. A adolescência num país estranho e desprovida de amigos verdadeiros deixam as suas marcas. Marjane passa por ser aluna brilhante para acabar a dormir na rua e quase morrer de pneumonia. Fora do seu país sente-se exilada, quando acaba por retornar descobre que o fundamentalismo está a estrangular o seu país, descobre que não há nada para que voltar.

Originalmente esta saga foi publicada em quatro volumes, mas na edição que me chegou estão todos compilados num único. Confesso que a parte que mais me fascinou da narrativa foram os primeiros anos, em que a personagem principal ainda é uma menina. Fascinou-me a sua visão do mundo e dos adultos, distanciada das mentiras e das reviravoltas da politica e dos interesses internacionais que acabam por desembocar na desgraça do seu povo. Em termos técnicos os quadradinhos que dão corpo à obra não são nenhuma proeza, no entanto cumprem perfeitamente o papel de nos transportar até ao mundo simples e expressivo em que vive a menina. Tenho a versão em espanhol desta obra, desconheço completamente se existe em português, mas aconselho. Entretanto a autora já publicou muitas outras obras, relacionadas com o Irão e não só, mas um dos últimos projectos foi a adaptação cinematográfica de Persepolis (em desenho animado), quero ver!

sexta-feira, dezembro 7

Ideias com Pernas

Nada é tão gratificante como ter uma ideia, larga-la no mundo, e que essa ideia ganhe independência, que acabe por superar-nos. Que alguém a ache tão boa ideia que agarre nela e contribua para o objectivo final. Foi o que aconteceu à dias com uma ideia que tive.

A génese foi simples, estar sozinho no mundo é difícil, mas às veses deve ser especialmente penoso. Muito próximo da data do meu próprio aniversário há um amigo que celebra a sua festa. Mas sem família ou sem parentes, apenas com o punhado de pessoas que lhe está mais próximo. Generoso, convidou a malta presente para os copos, e numa conversa perfeitamente normal penso que ficámos todos tocados pelo facto do aniversariante não ter recebido nenhuma prenda. Todos merecemos um gesto de atenção, por mais desamparados que estejamos. Ou antes, se ninguém se lembra de nós em certas ocasiões não temos mais remédio que sentir-nos desamparados.

Fui para casa a matutar nisto. E claro, foi aí que surgiu a ideia! Inicialmente era uma coisa simples, comprar uma moldura e oferecer uma foto do meu arsenal. Deixei passar alguns dias, por preguiça talvez, mas posto a buscar a foto ideal, compreendi que não tinha nenhum registo que deixasse satisfeito, que estivesse à altura do tema. A ideia acabou por madurar, e foi ao visitar a Exposição da Colecção Berardo que a coisa fez click. Resolvi imitar algumas das coisas que tinha visto, tentar armar-me em artista. E foi assim que propus a um pequeno grupo de pessoas a realização de um poster gigante, inspirado na Pop Art, em que o protagonista era o nosso homem. Junto com a proposta iam dois esboços para o que poderia ser a obra. E foi aqui que perdi o controlo, a recepção foi tão entusiástica que quando me dei conta já tinha sido o poster impresso, e estava-me a ser perguntado se queria assistir à entrega. Na Gráfica Calipolense a ideia fez sucesso, tanto que acabaram por colaborar oferecendo a impressão, tornando assim realidade o objecto. Espero que o destinatário goste do resultado final. Pessoalmente à muito tempo que não me dava tango gozo organizar algo.

sexta-feira, novembro 30

Papiroflexia

Gostei deste pequeno filme de animação, fez-me lembrar o Vasco Granja e o Konec. No mundo da bonecada as coisas parecem sempre fáceis, para bem ao para o mal no mundo real moldar a nossa vida é tremendamente difícil.

O título é Papiroflexia, nome porque é conhecida a antiga arte do Origami em Espanha. Eu próprio sei fazer uma ou outra figura de papel, coisitas simples. Mais uma das tantas coisas que me interessam mas que não tenho tempo para aprofundar.

sexta-feira, outubro 19

Sugestões Culturais para para Acabar Outubro

Hoje trago duas sugestões para aproveitar até ao final do Outubro. Eu próprio não sei se vou conseguir ir às duas mas vou tentar pelo menos. A primeira é o 4º Festival de Cinema Documental de Lisboa, doclisboa para abreviar, que decorre entre 18 e 28 de Outubro. Os filmes vão passar pela Culturgest, Cinema Londres e Cinema São Jorge, podem espreitar o programa aqui.

A outra sugestão é o Festival de Banda Desenhada da Amadora, certame no qual faço questão de estar presente todos os anos. Como já vem sendo habitual vamos ter várias editoras a exporem os seus livros, lançamentos, e sessão de autógrafos. A propósito dos 18 anos do festival, aproveitou-se para dar uma temática mais adulta (leia-se maiores de 18), sem prejuízo como é óbvio das secções dedicadas aos petizes. Entre outras coisas, vamos ser honrados com a presença de Milo Manara, um mestre que se dedicou à banda desenhada erótica desde à varios anos. Para vos regalar os olhos deixo aqui a capa de uma das suas obras mais conhecidas, o Click. Para os mais interessados existem alguns vídeos interessantes que podem valer a pena ver, por exemplo este como desenhar uma rapariga sensual, narrado pelo próprio Manara.

terça-feira, setembro 25

Festival de Microfilmes de Lisboa

Descobro hoje, por completo acaso, que a Produções Fictícias está a organizar um festival muito peculiar. O Festival de Microfilmes de Lisboa vai decorrer 1 e 2 de Dezembro de 2007, no Cinema São Jorge em Lisboa e a 8 de Dezembro no Passos Manuel no Porto. Mas já podemos mandar os nossos microfilmes, até 14 de Novembro. A ideia é que o comum dos mortais se arme em realizador, pegue no telemóvel ou na máquina fotográfica e faça uma curta que depois será apreciada em concurso. Para quem gostar de cinema, e se quiser armar em realizador basta consultar o regulamento, os prémios são apetitosos. A ideia tem a colaboração do portal Sapo, já que os vídeos enviados para o certame estão alojados no Sapo Vídeos. Uma iniciativa bastante original, espero que tenham bastante êxito. Não sei se vou participar, mas vou recomendar pelo menos.

segunda-feira, junho 4

Elogio à Arte

Esta experiência foi realidade por um canal de televisão espanhol, deram uma tela em branco a um grupo de miúdos do jardim-escola para criar uma obra de arte moderna. Pegaram no quadro e levaram-no até uma exposição, depois foi ver a opinião das pessoas...

segunda-feira, março 26

Os Clunk no Bacalhoeiro

O Bacalhoeiro é um espaço cultural sediado em Alfama, na rua dos Bacalhoeiros (daí o nome). Os Clunk deram recentemente um concerto lá, e eu lá fui tirar umas fotos da malta. A associação ainda não tem espaço na web mas tem um contacto por e-mail, através do qual é possível subscrever a mailing list onde somos informados do que vai acontecendo. Existem actividades todas as semanas, concertos, exposições, exibição de filmes e documentários, e serviço de bar permanente claro. Um cantinho a descobrir.

As fotos essas estão arrumadas no meu espaço do Flickr. Ah! E um conselho... As revelações na Fnac são baratinhas, e até saem como deve de ser, mas isto só se aplica às fotos a cores... Se querem revelar negativos a preto e branco esqueçam, procurem uma loja de fotografia a sério.

segunda-feira, março 12

Sou Assim Sem Você

Mandaram-me um recado, que tardei a ver, mas que me tocou profundamente. Este vídeo está genial, apesar de muito simples as ilustrações têm vida, e é um exemplo perfeito das possibilidades que o YouTube e outros espaços virtuais vieram oferecer a uma multidão de artistas caseiros. Quanto à música, não há muito a dizer, ilustra algo que sinto precisamente neste momento. Tenho saudades!

sexta-feira, março 9

SXSW 2007

Começa hoje, o South by Southwest 2007. Além de toda a informação e artigos que se podem encontrar na homepage está lá a música para ouvir, vale a pena.

quarta-feira, fevereiro 14

World Press Photo 2007

A World Press Photo é uma organização não lucrativa fundada em 1955. Conhecida principalmente pelo concurso anual que organizam, seleccionando as melhores fotografias de imprensa, que depois são integradas como uma exposição itinerante, e também editadas em livro. Ou seja, um prémio de excelência para o foto-jornalismo. Habitualmente é dado destaque às fotos que mostram conflitos e catástrofes, assimetrias humanas e o mundo desigual em que vivemos. Muitas vezes belas, outras vezes feias, as fotos são excelentes mas também trazem sempre mensagem. Os resultados do concurso deste ano já saíram, a galeria dos premiados pode ser consultada online. Isto só para abrir o apetite para visitar a exposição quando passar por Portugal, o que segundo o programa oficial será entre 21 de Julho e 12 de Agosto em Portimão.

terça-feira, janeiro 16

O Principezinho (de La Féria)

Mais uma montanha de tempo sem escrever... não é bloqueio de escritor, só preguiça, os pensamentos ultimamente absorvem-me. Vamos lá pôr a coisa em dia, normalmente quando vou ao cinema ou ao teatro faço um comentário, há umas coisas atrasadas.

No fim de semana passado volvi ao Teatro Politeama para assistir a mais uma adaptação de Filipe La Féria. O livro O Principezinho de Saint-Exupéry acho que perdura no imaginário de todos aqueles que tiveram a oportunidade de o ler. Se calhar classificado como livro para crianças, é muito mais do que isso. As personagens e situações parecem um sonho infantil e mirabolante, mas contam muito. Da jibóia ao homem de negócios todos metáforas, o fito talvez tenha sido explicar o mundo dos adultos na linguagem de uma criança, retratando-o com imagens de fantasia. Talvez seja o contrário, talvez seja o olhar de uma criança sobre o que a rodeia. Um olhar astuto e sagaz mas ao mesmo tempo cândido e inocente. Obra de um piloto de aviões, com a inclinação para escrever sobre as suas aventuras, ficou este livro adequado a todas as idades.

Existem várias adaptações, inclusive um filme, para mim nada conseguiu igualar a beleza do livro. Continuo a pensar o mesmo após ter ido ao Politeama ver a peça do La Féria. Até vou mais longe, aquilo foi um bocado fraquinho. O palco e um ecrã de fundo, actores e desenho animado, revezaram-se para ir contando a aventura do pequeno rapazinho de caracóis dourados. Os desenhos um pouco pobres, a cenografia também. Isto talvez passasse despercebido, se as personagens e as suas histórias estivessem bem delineadas, se conseguissem transmitir aquele olhar de que falava à pouco. Houve alguma originalidade na personificação de alguns intervenientes no livro mas estava à espera de mais, sobretudo depois da grata surpresa que levei da última vez. E desengane-se quem já viu esta peça apresentada como um musical, a música foi parca, as canções penosas! Alguém poderia ripostar que houve a necessidade de simplificar a coisa, para benefício dos mais novos. Não aceito esse argumento, simplesmente porque o livro é acessível a miúdos e graúdos, e é genial.

quinta-feira, dezembro 14

Música no Coração (ao estilo La Féria)

Em Portugal existe a ideia generalizada de que não existe acesso à cultura, ou que este é muito difícil. Somos todos uns pategos incultos, e que sempre o seremos porque somos pobres, no espiríto e no bolso. Isto para mim são balelas. A maioria das pessoas está-se nas tintas para a arte, isso é verdade, o que acontece é que os eventos que existem são dirigidos a esta ou aquela elite e não ao público em geral. Hoje estou aqui para escrever sobre teatro, e esta arte é um exemplo perfeito do que estou a falar. Existem inúmeros teatros em Lisboa, alguns no Porto, fora disso poucos, já estamos habituados às assimetrias regionais e isto parece natural, mas não é. Aqui caberia talvez aos municípios estimular a criatividade a nível local mas outros valores se impõem, é pena. Outro lado da questão, numa dada altura pode haver muitas peças em exibição, mas os grandes êxitos com "sucesso generalizado" (alguma ou outra peça que o zé povinho já ouviu falar) contam-se pelos dedos das mãos. As encenações de Filipe La Féria têm o dom de conseguir essa proeza, chegar não apenas ao clube restrito dos intelectuais e dos ricos que se gostam de ir pavonear para o teatro (estes são cada vez menos, hoje em dia há sítios mais in como o Casino) e conseguir que todo o Portugal oiça falar das suas peças. Desde já merece ser felicitado por isso.

Já não pisava um teatro à montes de tempo (desde o ano passado), que vergonha, um tipo com delírios pseudo-intelectualóides como eu e que não é frequentador habitual dos palcos devia era levar umas pancadas de Molière na tola como castigo. No outro dia tive a oportunidade de me redimir, uma amiga propôs-me a visita ao Teatro Politeama para vêr a adaptação aos palcos portugueses do clássico do cinema Música no Coração. Ela, fã incondicional do filme, e possuidora duma cópia que revê a intervalos regulares decidiu levar a filha ao teatro pela primeira vez, eu tive todo o gosto em acompanha-las. A pequena ficou impressionada, pode dizer-se até embasbacada com o teatro, o edifício, as luzes, os trajes, os actores, o desenrolar do pano e da acção. Como ela havia muitos espectadores de tenra idade na plateia. Espero que tenham ficado convertidos, precisamos ir buscar mais fãs dos Morangos com Açúcar e mostrar-lhes o que são actores a sério...

Mas vou falar da peça em si, já basta de divagar. O argumento é fiel à história original, a pequena noviça ingénua que gosta de bailar e cantar causa reboliço no convento e mandam-na tomar conta dos sete filhos do capitão Von Trapp, partir daí a história desenrola-se como todos sabemos. A nós calhou-nos assistir à interpretação de Lúcia Moniz, que se reveza com a Anabela no papel principal. Eu ia um pouco à espera de me aborrecer das cantorias a meio do musical, mas isso não aconteceu, todas as canções foram adaptadas ao português de forma excelente. Surpreendi-me com as capacidades interpretativas da actriz principal, de tal forma que não dei pelo tempo passar. A caracterização também é fiel ao original, com os trajes e os cenários a fazerem-nos lembrar a película. A propósito de cenários, convém dizer que todos os truques de cenografia ainda vêm trazer mais riqueza a todo o conjunto. Pequenas surpresas como quando o quarto da protagonista, que é no sótão, aparece vindo de cima e fica suspenso sobre o cenário da cena anterior. O desenrolar da acção leva ao sabido final feliz, mas creio que em toda a plateia ficou reavivado o sentimento de ingenuidade e fantasia que se experimenta ao ver o filme pela primeira vez. No fim foi o público que deliciou os intervenientes na peça com uma ovação em pé, bem merecida diga-se de passagem.

Como comentário final posso dizer que estou a pensar convidar as minhas duas acompanhantes para ir ao teatro de novo, também ao Politeama, ver a adaptação de outro clássico com o cunho La Féria que por lá passa nestes dias, o Principezinho.

segunda-feira, novembro 27