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quarta-feira, agosto 1

Fazer localização geográfica com o telemóvel

Da última vez que escrevi falei de localização geográfica, como se relacionava com a fotografia, e para que servia. Tal como prometido hoje vou falar de um método simples para armazenar a informação geográfica num telemóvel e mais tarde relacioná-la com as nossas fotografias. Os exemplos que vou citar referem-se equipamento de que disponho pessoalmente, mas o importante é o método. Facilmente podemos encontrar as ferramentas necessárias para lidar com outro tipo de equipamento.

A lista de pré-requisitos é simples, uma câmara fotográfica digital, e um smartphone. Um pormenor a ter atenção é verificar que os relógios de ambos estão sincronizados. É a partir da dimensão temporal que vamos estabelecer um paralelo entre a informação de localização que vamos armazenar no telemóvel, e as fotografias que capturarmos. O processo tem portanto duas fases distintas, numa primeira fase, e ao mesmo tempo que estamos a fotografar, recolhemos os dados no smartphone. Mais tarde, incorpora-se essa informação nas próprias fotografias, num processo conhecido por "Log Matching".

O primeiro passo é instalar no nosso smartphone uma aplicação capaz de gravar o nosso percurso. Hoje em dia existem inúmeras aplicações vocacionadas para o desporto que nos permitem saber a distância percorrida e velocidade. Na realidade essas aplicações registam o nosso trajecto através de dados de posicionamento GPS e realizam cálculos sobre esses dados. Apesar de não estarem vocacionadas para fotografia são exactamente o que precisamos. Pessoalmente tenho um telefone Android e uso o My Tracks da Google. Para iOS poderá ser utilizado algo como o Runkeeper. O que app tem fazer é registar o nosso percurso e permitir mais tarde realizar a exportação para ficheiro, em formato gpx de preferência.

Quando decidirmos ir fotografar convém verificar a questão dos relógios que falei acima. Depois é só ligar a aplicação, e dar asas à imaginação. Como falei a maioria das aplicações estão orientadas ao desporto, portanto é como se começámos uma corrida cada vez que começamos a disparar. Uma vez terminada a sessão de fotografia assinalamos o fim do trajecto e já está. A aplicação vai guardar o nosso percurso. Convém guardar a data e alguma informação descritiva para poder mais tarde identificar objectivamente os vários trajectos que se podem ir acumulando.


Numa fase posterior, quando tivermos um computador pessoal disponível devemos exportar os dados do nosso trajecto no telemóvel e usar um programa de edição gráfica para incorporar a informação nas fotos. A maioria dos programas de pós-produção fotográfica mais conhecidos implementam a funcionalidade necessária (Aperture, Lightroom). Pessoalmente uso o Nikon ViewNx2, gratuito e com imensas potencialidades. E lá por ser da Nikon não quer dizer que não funcione com outras câmaras, pelo contrário. Depois de carregar as fotos no nosso programa preferido, devemos seleccionar-las e escolher a opção log matching. Nesse momento vamos carregar o ficheiro .gpx que fomos buscar ao telemóvel e será estabelecida uma relação automática entre as fotos e os locais. Não esquecer gravar as alterações...



Se a ideia de tudo isto for mesmo fazer upload das fotos para algum sítio, como foi o meu caso, é melhor assegurar-nos que o sítio web que estamos a usar vai ler esta informação. Por exemplo eu tive de ligar o suporte para as tags GPS no Flickr. Também existe a possibilidade de realizar este processo de "log matching" online com fotos que já foram penduradas online anteriormente.

terça-feira, julho 10

Localização geográfica de fotografia

O artigo de hoje vai ser introdutório, neste texto vou explicar alguns conceitos, mais tarde vou partilhar um método simples e pouco dispendioso para fazer a etiquetagem geográfica de fotografias. Este termo foi a melhor tradução que conseguir encontrar para geotagging, mas acaba por descrever exactamente o que pretendemos atingir, embeber numa fotografia a localização geográfica exacta onde foi captada. Também existem métodos para registar este tipo de informação noutros meios (vídeo e páginas  html por exemplo) mas vou falar do caso concreto da fotografia apenas.

A localização geográfica é utilizada por profissionais de algumas áreas para conseguir uma representação muito fiel de um local, por exemplo um levantamento arqueológico ou geológico. Mas pode servir simplesmente para organizarmos as fotos das férias. É claro que se for necessário um elevado grau de confiança uma solução técnica profissional poderá ser mais indicada.

Hoje em dia muitos serviços que usamos diariamente como o Google ou o Facebook dão cada vez mais importância à informação geográfica, e esforçam-se por saber por onde andamos. É óbvio que se levantam algumas questões sobre privacidade, num mundo cada vez mais público, precisamos ter algum cuidado com o que revelamos. O sítio web que uso para armazenar e organizar as minhas fotos também suporta informação geográfica, é a minha galeria que vou usar como exemplo mais à frente. Sobrepondo num mapa fotografias podemos reviver percursos feitos em tempos, talvez perceber como (re)visitar algum local que nos tenha deixado encantados. O Google Maps há muito que implementa esta funcionalidade.


Os formatos que usamos normalmente para manejar as imagens captadas pelas nossas câmaras estão preparados para conter mais informação além da imagem propriamente dita. A etiqueta EXIF é uma forma normalizada de guardar informação auxiliar. Por exemplo a informação óptica sobre a captação da foto é armazenada lá. A abertura, o tempo de exposição, e a sensibilidade ISO são os dados básicos. É também aqui que vai ficar registada a informação geográfica. Podemos visualizar essa informação através das propriedades do ficheiro no sistema operativo, no entanto um programa de fotografia dará muito mais informação. Podem espreitar as propriedades de uma foto que tirei nas minhas últimas férias para ter uma ideia, entre muitas outras coisas estão lá as coordenadas GPS.

Hoje em dia qualquer smartphone tem esta capacidade, basta a opção estar activa o telefone ter o serviço GPS disponível e irá a imagem ficará automaticamente geolocalizada. Já existem algumas câmaras fotográficas no mercado com esta função, mas normalmente as soluções para DSRL's são dispendiosas, implicando a compra de um acessório separado. Fiquem sintonizados para saber como fazer isto virtualmente grátis...


quarta-feira, maio 16

Os projectos falhados servem para aprender

No final do ano passado, mais concretamente na noite de 25 de Dezembro tomei uma decisão. Foi uma espécie de resolução de Ano Novo, ou antes resolução de Natal dada a data. Sentindo-me cada vez menos activo na minha labor fotográfica e criativa no geral quis encontrar uma forma de obrigar-me a mim mesmo a produzir qualquer coisa.

Foi assim que decidi embarcar num projecto 365. É um ideia bem estabelecida que muita gente já tentou e através da qual produziu resultados às vezes interessantes, mas sobretudo palpáveis, algo que tem de acontecer todos os dias. E para o qual chegado o fim da odisseia podemos olhar para trás e saborear.

Dois requisitos essenciais para que um empreendimento destes funcione são em primeiro lugar andar com uma câmara sempre atrás, e em segundo lugar que seja muito fácil expor o resultado diário. Ora isto é muito fácil com qualquer telemóvel moderno e a montanha de aplicações para telemóvel que apareceram num ápice. Tratou-se pois de escolher uma aplicação e começar... Na altura a mais popular, o Instagram, ainda só estava disponível para dispositivos Apple. Assim decidi-me pelo Lightbox... Hoje em dia o Instagram já está disponível para Android, além disso as empresas que fazem as duas aplicações foram compradas pelo Facebook... Presumivelmente com o objectivo de se tornar os Reis da partilha de fotografias... mas estou a divagar.

Quando comecei eu próprio ainda não sabia muito bem como é que ia lidar com o desafio. O meu objectivo não era claro, apenas obrigar-me a tirar fotografias. Lembro-me que um dia, talvez um mês depois de começar tive uma epifania. As imagens estavam-se a tornar de uma espécie de diário, não dos acontecimentos do dia, mas do sentimento particular que me marcou. À medida que a coisa avançava outra conclusão mais ou menos óbvia foi que a larga maioria dos meus dias eram rotineiros, condicionados por um ritmo bem marcado.

Saíram coisas mais ou menos interessantes, outras nem por isso. Em termos estritamente fotográficos há coisas que poderiam servir de base ao desenvolvimento de algo, nada mais. Não fiquei particularmente contente com a qualidade ou originalidade... Claro que tudo acabou de uma forma super simples, um dia esqueci-me, e pronto deixei a coisa acabar. Pensei no assunto, podia fazer batota, mas há que respeitar o ciclo natural das coisas. E se acabou, acabou. Ficaram as fotos e os locais no meu perfil do Lightbox, e também num set do Flickr que deixo a seguir para entrarem na minha vidinha aborrecida.

terça-feira, maio 10

Não Te Deixes Roubar

Não tive oportunidade de participar no Protesto da Geração à Rasca, um evento que se revelou um enorme sucesso. Com algumas fontes a reportar a presença de 500 mil pessoas. Mais do que um verdadeiro protesto este evento pareceu um espécie de festival para miúdos e graúdos. As pessoas sentem-se incomodadas com a situação em Portugal e precisam de exteriorizar a sua revolta. Mas realmente as propostas e as reivindicações que poderiam ter saído de um fórum assim nunca se chegaram a materializar.

No passado 25 de Abril sim tive oportunidade de comparecer ao tradicional desfile que desce a Avenida da Liberdade. A comparação com a manif anterior era inevitável, e a conclusão nada animadora. O fim de semana grande afastou os comuns mortais da luta, ficou a malta proletária que habitualmente frequenta estas coisas. É pena que tão depressa nos tenhamos esquecido do poder do protesto.

De qualquer forma aqui fica o registo fotográfico desse dia. Gostei bastante do resultado, a técnica fotográfica usada acabou por combinar muito bem com o tema. Trata-se de filme de slide revelado com o processo cruzado. Além disso foi usado um filtro polarizador que ressaltou ainda mais as cores. O título deste desabafo corresponde a um dos registos que gosto mais do conjunto, onde um verdadeiro veterano da luta nos chama a atenção a todos.

sábado, março 19

Ontem & Hoje

O final do ano é sempre uma altura de balanço, avaliar a nossa direcção, avaliar se os nossos objectivos se aproximam ou afastam. Desta vez estas considerações só me assolaram já entrado o novo ano, e através de um processo lento de introspecção cheguei a uma conclusão que já conhecia. Quero e preciso de criar para me sentir bem, talvez ainda não tenha encontrado o meio, ou talvez ainda tenha de me aperfeiçoar muito mais, mas sei que é isso quero.

Sintomático deste interregno foi o destino do rolo a preto e branco que carreguei na minha GakkenFlex ainda em 2010. Só o acabei já em Março, depois de fazer uma foto aqui e ali. Embora tenha ficado um pouco desiludido com a revelação do filme (o contraste deixa um pouco a desejar) acho que as fotos revelam promessa para a lente de plástico. As imagens saíram secas e nostálgicas, invocando um passado distante que na realidade não existe.

quinta-feira, novembro 25

A Lente de Plástico

Ando muito feliz e contente com a minha nova câmara de brincar, a lente de plástico realmente tem uma qualidade mínima, mas produz imagens com um aspecto realmente vintage que me deixam encantado. Quando fiz a workshop Sprocket Rocket levei-a atrás, porque queria fazer mais fotos com ela, e também para mostrar a gente mais entendida para que me contassem a sua opinião. Trouxe um par de explicações e bons conselhos, e também deixei interesse. Fiquei feliz.

Fui fazendo algumas fotos, sem pressa, desde aí até agora. No fim-de-semana passado que fui de excursão a Marvão acabei o rolo "normal" que tinha posto, e experimentei a conjugação da óptica de plástico com um filme Redscale XR. Por um lado tenho pena de não ter fotos com uma qualidade maior das paisagens do lugar. Por outro lado adorei os céus alienígenas que capturei no Alentejo.

Ficam aqui as fotos que tirei entretanto. Prometo falar mais sobre Marvão, até porque segundo as estatísticas é uma palavra que provoca muitas aterragens neste blog, num artigo que escrevi em tempos.

quarta-feira, novembro 10

Workshop Sprocket Rocket

A mais recente novidade lomogáfrica foi apresentada com grande pompa e circunstância em simultâneo na Embaixada de Lisboa e do Porto. Chama-se Sprocket Rocket, e tem várias particularidades. As suas fotos são panorâmicas, o fotograma é mais ou menos igual a juntar duas fotos normais. Outra coisa interessante é que tem duas rodas, uma para avançar e outra para rebobinar o filme a nosso bel-prazer, permitindo assim fazer remisturas com o filme. Além disto ainda permite expor as perfurações do filme.

No passado fim-de-semana foi realizada uma workshop de apresentação da máquina e claro assim que as inscrições abriram lá fui eu reservar o meu lugar. Já havia participado noutra workshop da lomo, e desta vez a fórmula foi um pouco diferente. O preço era muito baixo, talvez de forma a permitir a todos conhecerem a nova menina. E os participantes organizaram-se em pares, partilhando os rolos, assim também se estimulava a utilização das capacidades da máquina. Eu fiz batota, levei o par já feito, porque participei com a minha cara-metade.

A primeira impressão que tive da máquina foi que está mesmo desenhada para fazer as coisas de que falei de forma prática e precisa. Já abusei muito dos mecanismos das máquinas normais de forma a fazer sobreposições e brincar com a ordem cronológica do filme. Mas a Sprocket Rocket permite-nos controlar tudo isso com precisão em vez de confiar na sorte. Já com os mecanismos para controlar a luz não posso dizer que tenhamos acertado porque houve muitas fotografias a perderem-se.

Foi uma tarde divertida, andámos às voltas pela baixa e tiramos algumas fotos. Não foram muitas porque os rolos de 36 fotos reduzem-se a metade com os panoramas. Quando tudo acabou e entregámos os rolos ficamos a aguardar com impaciência os resultados. Adorei mexer com a câmara. No final acabei por ficar um pouco desiludido, alguns dos fotogramas que tentei encenar perderam-se simplesmente, outros ficaram francamente maus. Param mim as fotos que melhor ficaram foram algumas sem muitos artifícios feitas pela minha namorada. De qualquer forma acho que vou querer mexer mais com a Sprocket Rocket.

A Gakken Flex

Aqui há dias andava a pôr as minhas leituras em dia quando encontrei no blog do Flickr um brinquedo que ainda não conhecia. Como sempre os artigos têm como base um punhado de fotos, neste caso tiradas com uma Gakken Flex e claro aproveitavam para apontar para o grupo onde os utilizadores desta máquina se concentram no Flickr. Não percebi muito bem o que era aquilo... mas como falavam em fotos analógicas maravilhosas (e realmente têm bom aspecto) lá fui investigar.

A primeira coisa que o Google me trouxe foi um relato sobre a montagem da câmara. A ideia fascinou-me de imediato, um kit para montar uma câmara fotográfica. A Gakken é uma editora que se dedicar à edição de produtos educativos e já lançou no mercado uma série de kits interessantes. Além da câmara, houve o gramofone, o sintetizador ou o theramin. Cada kit faz-lhe acompanhar de alguma documentação sobre o tema associado a essa edição.

Acabei por comprar no ebay uma cópia da Gakken Flex, porque o original já não estava disponível. Mas também comprei como prenda de anos para um meu amigo o sintetizador e posso dizer que em ambos os casos foi bastante recompensador o resultado. A montagem no caso do sintetizador foi muito breve. No caso da máquina levei bastante mais tempo, mas apenas porque à medida que seguia as instruções não estava a ser muito óbvio para mim como é que tudo aquilo iria funcionar, em particular o obturador. Mas seguindo à risca as instruções, e as fotos de quem já montou lá consegui chegar ao óbvio. Uma máquina perfeitamente funcional e muito divertida de montar.

Quando introduzi o primeiro rolo o receio era muito. Depois de despachar aquilo mais ou menos depressa, lá fui eu revelar as fotos sem saber muito bem o que esperar. Não saiu nenhuma obra de arte mas aparte de que se notam algumas deficiências na focagem até nem tão más de todo. Gostei do brinquedo, é bastante prático, e tem muita pinta, isso é de certeza. Agora depois de saber que aquilo funciona mesmo acho que vou tentar sacar umas coisas giras daquela lente de plástico!

quarta-feira, novembro 3

Dolce Far Niente

Este verão tive a oportunidade de ir passar uns dias ao Algarve. Tendo em conta que um caro amigo me ofereceu hospedagem em quase qualquer altura do ano, fui bastante idiota por aproveitar apenas um fim-de-semana de Agosto e uns dias já no fim da época balnear em Setembro. Mas mesmo assim valeu a pena. Apesar de levar planos, compromissos, sítios para visitar, acabei por me dedicar a não fazer nada. Dormir muito, pôr as leituras em dia, andar a pé e desfrutar da praia. Uma rotina a que é bastante fácil adaptar-se.

Não morro de amores por Albufeira, como a maior parte do Algarve a euforia da construção destruiu grande parte da beleza. O negócio de vender férias a bifes pobres que cá em Portugal tinham um poder de compra acima da média está-se a esgotar. A solução agora é vender férias em saldos a portugueses ou melhorar a qualidade. Mas se conseguirmos abstrair-nos do mau gosto e do ruído, é fácil perceber que há ali muito potencial.

terça-feira, novembro 2

Festas dos Capuchos 2010

Este ano as tradicionais festas de Vila Viçosa tiveram uma nova fórmula. Houve uma separação entre o que poderia ser considerado o lado mais tradicional e familiar do arraial, e os excessos do barulho dos bares e da música. Acho que se alguma tranquilidade para quem não está interessado nos festejos etílicos, e uma melhor organização do espaço. Mas ao mesmo tempo perdeu-se um dos encantos da festa, o cruzamento entre gerações e grupos de pessoas diferentes que nesta fórmula, bem separados e demarcados, não se cruzam. Para mim este era um dos grande encantos da festa onde se acabávamos por confraternizar com gente diferente do grupo habitual. Segundo dizem por aí, haverá mais alterações, penso que é possível melhorar a ideia.

Escusado será dizer que estive mais envolvido na secção de folia do que noutra coisa qualquer... e como sempre com a minha Fisheye2 pronta para flashar os transeuntes mais distraídos.

quinta-feira, junho 17

Santos & Populares

Soube bem voltar a pegar na olho de peixe, sinto-me descuidado, já não procuro tantos pretextos como antes para fotografa, desta vez será a participação no concurso de Santo António da Lomografia Portugal. Não tenho muitas expectativas, mas valeu a pena o registo de mais um ano de muito festejo, manjerico e contacto com transeuntes aleatórios. São tão giros os santos populares!

quarta-feira, julho 29

Há demasiado tempo que não ia ao Porto

Há muito tempo mesmo que não me detinha na cidade invicta. Curiosamente durante um curto espaço de tempo fui um visitante assíduo, indo lá regularmente. As minhas razões eram do foro sentimental, e curiosamente motivos da mesma índole me levaram lá de novo. Mas não posso deixar passar tanto tempo até à proxima visita seja em que cinrcustâncias for.

A cidade que eu conhecia está mais afável, mais limpa, mais agradável à vista. A reabilitação urbana parece andar a todo o gás e a vida nocturna está (mais convenietemente) concentrada na zona dos clérigos. À volta do clássico piolho nasceram uma série de locais novos, que vivem virados para a rua e para a passagem de pessoas. Os espaços artísticos da Passos Manuel entraram num entendimento e fazem um bilhete único que permite a livre circulação entre si. Na noite seguinte planeei simplesmente jantar na ribeira mas fui surpreendido pelo Festival de Fado que lá decorria e acabei por ir ficando, preso às luzes reflectidas no rio.

A visita foi curta mas ainda consegui aproveitar para fazer uma duas coisas que não tinha feito antes. Andar de eléctrico, visitar a Foz. Não deu tempo para ir rebolar na relva a Serralves.

A minha LC-A+ fez-me companhia durante toda a viagem, foram três rolos. Gostei muito dos resultados. Embora tenha ficado um pouco assustado com uns fantasmas vermelhos que apareceram. Acho que a câmara ganhou uma entrada de luz.

sexta-feira, julho 24

Quitanço para Câmaras Canon

Todas as câmaras da gama point-and-shoot da Canon usam o mesmo tipo de processador, e são na realidade muito parecidas por dentro. Dependendo do modelo as capacidades que ficam disponíveis ao utilizador diferem bastante. Mas como têm o mesmo coração, até a máquina mais rasca tem a capacidade de fazer coisas como tirar fotos em formato RAW, fazer focagem manual, ou regular a exposição e e abertura. Para destrancar este potencial basta instalar o CHDK, uma extensão ao firmware das câmaras que possibilita tudo isto e muito mais sem fazer nenhuma modificação permanente à máquina. Trata-se de software livre, desenvolvido por entusiastas e ao qual são feitos melhorias constantes.

O processo de instalação é super simples, basta copiar alguns ficheiros para o cartão de memória. Inseri-lo na câmara, pedir para utilizar o novo software, e voila, temos acesso a uma série de novas funções. Claro que é um pouco mais complicado do que isto. Mas qualquer fotografo que se preze é capaz de por a coisa a funcionar. Eu fiz a experiência no outro dia na minha Powershot G9 e demorou apenas um instante. Experimentar e dominar os novos poderes ao meu alcance é que vai levar mais algum tempo. Mesmo para uma câmara relativamente poderosa como a minha à adições muito interessantes como a capacidade de correr programas definidos por nós. Existem alguns programas já disponíveis, mas o que mais me interessa é um script que permite tirar fotos a intervalos regulares automaticamente. Dentro em breve quero fazer um filme em time-lapse.


Imagem picada da wiki do CHDK.

sexta-feira, julho 17

Travessia do Tejo

Quando fiz a workshop Diana F+ adorei fazer este passeio, e fiquei com bastante vontade de repetir. Uma semana depois saí de casa com os meus companheiros com outro destino definido mas acabámos por andar um pouco à deriva, quando demos por nós perto da estação do cacilheiros decidimos fazer o mesmo circuito. Eu ia perfeitamente preparado, com a minha Nikon e o filtro polarizador e não desperdicei a ocasião. É uma pena todos aqueles prédios decrépitos na frente ribeirinha de Cacilhas, a zona tem um potencial enorme. Mas concerteza mais cedo ou mais tarde alguém irá aperceber-se. Como já o fizeram os dois restaurantes no final do percurso que gozam duma esplanada panorâmica maravilhosa.

Quanto à travessia em si, aconselho esperar por um dos ferrys que transportam veículos, já que são abertos e nos permitem desfrutar do Tejo na amurada da embarcação. Sol, paisagem, cabelos ao vento que mais se pode pedir senão uma boa companhia?

quarta-feira, julho 8

Workshop Diana F+

No passado sábado consegui fazer algo que já desevaja à algum tempo, participar numa das acções da Embaixada Lomográfica Portuguesa. Por falta de tempo ou incompatibilidades de calendário ainda não havia conseguido. Mas desta feita juntei-me ao Workshop sobre a Diana F+. Tinha muita curiosidade sobre o filme de médio formato, ainda não tinha mexido com nenhuma câmara que o usasse.

A pessoa encarregue de nos orientar foi o fotógrafo Jordi Burch que não fez uma abordagem formal, mas pelo contrário nos deixou mais ou menos por nossa conta acudindo às nossas dúvidas e questões quando necessário. O desafio era simples, trabalhámos com dois rolos de tipos diferentes. O primeiro médio formato que foi possível ver revelado ao final do dia, e um outro de negativos de slide 35mm que só fui buscar ontem. Confesso que mas os meus resultados com o médio formato deixaram muito a desejar. Se calhar fui desajeitado com a câmara, por outro lado também fiz demasiadas experiências em vez de tirar fotos simples. Apesar disso há uma que gosto, uma em dezasseis não está mal...

Depoisda primeira experiência aprendemos a forçar rolo de 35 mm na Diana, e lançamos-nos à descoberta com o negativo de slides. Alguns de nós metemo-nos no cacilheiro e fomos até à outra margem. Demos uma volta por Cacilhas e por alguns recantos que confesso que ainda não conhecia. Concerteza irei voltar a seguir o itinerário desse passeio porque foi muito agradável. Este segundo rolo era a minha esperança, fui buscar os resultados hoje e saí da Embaixada Lomográfica encantado com a cores vivas e as fotografias abstractas do Tejo e das suas margens.

Adorei tudo no workshop. As pessoas da Embaixada Lomográfica que foram super simpáticas e prestativas. O fotografo que nos acompanhou com paciência mas com a distância necessária para nos sentirmos para criar algo de nosso. O grupo de pessoas que assistiu, e que sem apresentações formais quebrou o gelo com muita facilidade e ao fim do dia já se tinha tornado num grande grupo de amigos. Os amigos da Diana claro.

Aqui ficam os resultados do dia, sem qualquer retoque ou truque. Vão notar com facilidade quais é que sairam do rolo de slide...

domingo, julho 5

A Fortaleza das Toalhas

No fim de semana passado fui fazer uma visita à minha família espanhola, família emprestada é claro mas mesmo assim a minha. O curioso foi que acabámos por voltar a Portugal de passeio. Valença aparentemente é muito conhecida entre os espanhóis, entreposto comercial priveligiado desde sempre. O local é muito bonito, com uma presença majestosa sobre o Rio Minho da fortaleza que podemos avistar assim que cruzamos a fronteira. As pedras e os muros estão muito bem conversados, fruto concerteza de uma estratégia de captação de turismo. O curioso é que a vocação comercial está mais forte que nunca, com os mesmos produtos de sempre, alambiques, panos, toalhas, sobretudo toalhas que estão por todo o lado.

quarta-feira, junho 17

Haja Alegria!

Passado o mau humor e a ressaca começo a sentir-me melhor. Afinal não foram assim tão maus os Santos Populares este ano, o saldo é positivo apesar dos danos materiais e físicos. Ficaram alguns momentos bem engraçados, além de novos amigos, e isso é que importa. Outra coisa bastante boa é que começo a acordar da letargia criativa em que mergulhei este ano. Faltava-me a vontade, a energia para criar. Mas depois de olhar as minhas fotos vezes e vezes, recordaram-me que afinal aquilo que dou ao mundo é o que me define e me torna diferente. Se não escrevo, não fotografo, não falo, sou apenas mais uma pessoazinha cinzenta.

quarta-feira, maio 6

Fotografia Estenopeica

A fotografia estenopeica, ou usando o termo anglosaxónico "pinhole photography" é a forma mais simples e mais antiga de capturar uma impressão fotográfica. As propriedades da luz que permitem focar uma imagem através de um pequeno orifício, sem elementos ópticos já são conhecidas desde antiguidade. As primeiras câmaras fotográficas produzidas utilizavam este sistema e são hoje em dia relíquias. Para saber um pouco mais sobre a história e a ciência estenopeica aconselho a visita ao sítio do Clube de Fotografia Pinhole "Buraco de Agulha". Uma associação portuguesa de fãs desta prática.

Não vou me vou alongar sobre a parte científica ou histórica. Quero sim divulgar a parte prática. Quando ando com as minhas câmaras atrás a tirar fotografias a tudo e nada, ou quando mostro os resultados dos meus devaneios é comum ouvir aquela cantiga do coitadinho: "Oh tão giro, eu também gostava de fazer fotografia". Mais do que nunca hoje em dia a velha máxima de "querer é poder" aplica-se a quase todos os campos da actividade humana. Não é preciso é preciso ter uma câmara topo de gama nem lentes com nome nome alemão para fazer fotografia. Infelizmente a maioria das pessoas rege-se por uma lógica consumista, em que não aspiram a criar nada, mas simplesmente a possuir.

É possível construir de uma forma muito fácil (e barata) uma câmara fotográfica. Uma simples caixa de sapatos, papel foto-sensível e um bocadinho de manha podem fazer de qualquer pessoa um fotógrafo. É óbvio que o resultado não serão fotografias convencionais, mas para quem tenha a paixão pela imagem é possível que surjam representações verdadeiramente estranhas e belas da realidade. Para ver alguns dos resultados podem passar por exemplo pelo grupo Pinholers no Flickr.

Amante como sou do da nostalgia e do encanto low-tech do celulóide há muito tempo que planeio juntar-me ao movimento estenopeico, mas confesso que ainda não consegui, quando conseguir hei-de compartilhar os meus resultados. Entretanto vou deixar umas sugestões. É possível comprar conjuntos para montar uma câmara pinhole, por exemplo na loja da lomografia. Mas é muito mais giro fazer tudo de raiz! Desde a clássica caixa de sapatos, até à câmara caixa de fosfóros existem inúmeras variações. Para quem tenha ficado interessado, aconselho a procurarem no Instructables por um projecto à vossa medida.

Algo que eu quero tentar (ainda estou em vias de decifrar como é que vou conseguir montar tudo) são as câmaras Readymech. Para quem leu o meu apontamento sobre os bonecos já pode supor do que se trata. Instruções para imprimir e montar algumas câmaras com um desenho bem engraçado e funcional. Entretanto deixo-vos com um pequeno filme para abrir o apetite.

quarta-feira, abril 22

Guias e Manuais para Fotografia

Há algum tempo que sigo a Smashing Magazine, uma revista em linha que traz muitas dicas e técnicas úteis para fotógrafos, designers e qualquer tipo de artista gráfico. Os conteúdos têm sempre um carácter enciclopédico e profissional, inclusivamente estão a planear editar um livro para recompilar toda a informação útil que já por lá passou. Hoje não posso deixar de referenciar o último artigo que é um compêndio sobre técnicas de fotografia, intitulado "50 Técnicas e Tutoriais Incríveis para Fotografia" (tradução liberal minha).

quinta-feira, março 19

A Natureza da Liberdade

Na semana passada estive alheado dos meus afazeres normais, fui mandado para formação. Nesses dias saí um pouco mais cedo e isso deu-me a oportunidade de aproveitar os dias de Sol que chegaram antecipados este ano. Quase todos os dias andei um pouco a pé, até ao Jardim da Estrela, que se encontrava apinhado de outros que como eu iam à procura de um pouco de Sol, descontracção e contacto com a natureza. Inclusive aproveitei para fazer umas fotografias.

Enquanto degustava o momento uma série de ideias começou-me a assaltar. Porque é que há tão poucos espaços verdes na nossa Lisboa? Espaços de lazer dizem que há muitos, centros comerciais então são aos pontapés, mas nem sei se podemos chamar a uma catedral do consumo um espaço de lazer. Quando saímos à rua fomos ameaçados por buzinas, escapes e veículos em movimento que nos querem esmagar como se fossemos obstáculos no seu caminho. Nada comparado à tranquilidade de um jardim. Mas porquê? Poderia argumentar-se que os jardins não dão dinheiro e os centros comerciais sim. Mentira, uma zona de lazer valoriza os terrenos e as habitações à sua volta, melhora a qualidade de vida das pessoas. Mas claro a ganância privada impera sobre o interesse público.

Mas pus-me a pensar ainda mais longe do que isto, então e se fosse uma estratégia intencional... Alienar as pessoas, retirá-las do contexto humano, tirando-nos os nossos pequenos prazeres como espreguiçar-nos ao Sol, ou desfrutar um fim de tarde deitados na relva. Encerrados na nossa selva de betão a única escapatória que temos é ir para o tal centro comercial, fazer o que se faz lá, descarregar as nossas frustrações e pulsões através do consumo. Cá fora a única via para a sobrevivência é ter um veículo maior que o do vizinho que a luta na estrada é impiedosa. Mais rápido, mais musculado, mais fumarento, é a forma de nos sentirmos seguros no nosso pequeno mundo fechado e egoísta. Como num daqueles aviários em que os frangos crescem sem nunca se mexer do mesmo sítio pressionados pelo vizinho do lado, a maioria de nós sobrevive sem nunca saber perceber o que é a verdadeira liberdade.