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quarta-feira, outubro 17

Livrem-se do generalismo e concentrem-se no serviço público

Ninguém sabe ainda muito bem em que moldes vai decorrer a privatização da RTP, qual será o canal que vão por no prego... ou serão os dois? Neste momento a opinião pública está mais preocupada com ideia de repor as finanças do país à custa dos contribuintes do costume, mas o assunto há-de voltar à baila em breve. Quero acreditar, e tenho esperança, que se vai manter alguma espécie de serviço público de televisão.

Neste momento existem quatro canais disponíveis em sinal aberto para Portugal Continental. Três deles são generalistas, o que equivale a dizer que a preocupação principal é capturar audiências. Mas a definição de generalista aqui não encaixa, na realidade não tentam agradar a toda a gente... A grelha está montada de uma forma exacta e premeditada  Tal e qual a organização das prateleiras num supermercado, as horas e os conteúdos estão organizados segundo uma ordem pré-estabelecida. O racional é agradar às pessoas que estão a ver TV (em sinal aberto) a uma determinada hora. Cativar os clientes potenciais para a emissão, mas também para a publicidade que sustenta esse mesma emissão. É Por isso é que os programas da manhã são para agradar a velhotes. E é por isso é que a telenovelas da noite têm tramas rocambolescas de invejas e mentiras aliadas a meninas com formas generosas que se despem à mínima oportunidade, assim aguenta-se marido e mulher, na sala a olhar para o mesmo ecrã. Na prática a TV generalista mais não é do que uma redução ao mínimo denominador comum.

Mas o modelo tradicional da distribuição de televisão está a mudar. A televisão por cabo, o pay-per-view, mais recentemente o vídeo na Internet, vieram mudar o panorama. Em Portugal esta mudança chegou recentemente, durante muito tempo estivemos habituados a ver o que nos punham à frente, mas qualquer lar no país pode ter um serviço de TV com os canais que prefere... Mais importante, os segmentos de mercado que são apetecíveis, as pessoas com um nível intelectual alto e com dinheirinho para gastar em produtos anunciados na TV preferem escolher o que vêm.

E claro o reverso da medalha, uma marca com uma imagem bem cuidada prefere anunciar os seus produtos através de um meio que seja compatível com essa imagem. Meter um anúncio de um carro alemão no meio de um reality show onde ninguém é capaz de responder a uma pergunta de cultura geral, não é de todo boa ideia. Possivelmente a mensagem chega a muita gente, mas não são as pessoas com a capacidade financeira certa. E existiria o perigo das pessoas do mercado alvo começarem a associar a tal marca de carros a macacos tatuados e loiras pintadas que guincham o dia todo. Catástrofe. Dir-se-ia que há uma técnica que não tem como falhar, associar uma marca a uma figura conhecida. A imagem de um futebolista e do seu carro para vender um champô anti-caspa por exemplo... Pode ser que funcione, mas acaba por ser ridículo  Em última análise cabe à própria marca decidir qual é o seu segmento alvo e como vai chegar até ele. Uma coisa é certa a fórmula fácil "vamos passar um anúncio na televisão e o nosso produto vai vender", morreu.

E é justamente este o paradoxo que aflige o mercado de TV actual  A luta é cada vez mais apertada, por um mercado de publicidade cada vez menos desejável. Este fenómeno só se vai tornar mais acentuado. E se as receitas de publicidade hoje não chegam para sustentar três canais generalistas, não vai ser no futuro que isso vai acontecer. A tendência para a TV "generalista" se cingir cada vez mais a segmentos de mercado pouco desejáveis em termos de publicidade só se vai acentuar. Um dia ainda vamos ver qual vai ser a apresentadora que vai mostrar o maior decote de forma a capturar as audiências a quem vender... colchões ou dietas milagrosas!

Por isso a minha opinião sobre toda esta história da privatização da Televisão é simples. Vendam o canal generalista o mais depressa possível, enquanto ainda é minimamente desejável. Mas por favor, há que reter a infraestrutura e as pessoas necessárias para manter um serviço público de televisão. Apoiar a produção nacional. Passar conteúdos didácticos e culturais. Prestar um serviço de informação sério e imparcial.

Em Directo (Para a Televisão) - Mão Morta

quarta-feira, junho 1

Opinião

Podem me prender, podem me bater
Podem até deixar-me sem comer
Que eu não mudo de opinião.
Daqui do morro eu não saio não, daqui do morro eu não saio não.

Se não tem àgua, eu furo um poço
Se não tem carne, eu compro um osso e ponho na sopa
E deixo andar, deixo andar

Fale de mim quem quiser falar
Aqui eu não pago aluguel
Se eu morrer amanhã, seu doutor
Estou pertinho do céu

Podem me prender, podem me bater
Podem até deixar-me sem comer
Que eu não mudo de opinião

Daqui do morro eu não saio não, daqui do morro eu não saio não...

Podem me prender , podem me bater, que eu não mudo de opinião, que eu não mudo de opinião...

Opinião - Nara Leão

terça-feira, maio 10

Não Te Deixes Roubar

Não tive oportunidade de participar no Protesto da Geração à Rasca, um evento que se revelou um enorme sucesso. Com algumas fontes a reportar a presença de 500 mil pessoas. Mais do que um verdadeiro protesto este evento pareceu um espécie de festival para miúdos e graúdos. As pessoas sentem-se incomodadas com a situação em Portugal e precisam de exteriorizar a sua revolta. Mas realmente as propostas e as reivindicações que poderiam ter saído de um fórum assim nunca se chegaram a materializar.

No passado 25 de Abril sim tive oportunidade de comparecer ao tradicional desfile que desce a Avenida da Liberdade. A comparação com a manif anterior era inevitável, e a conclusão nada animadora. O fim de semana grande afastou os comuns mortais da luta, ficou a malta proletária que habitualmente frequenta estas coisas. É pena que tão depressa nos tenhamos esquecido do poder do protesto.

De qualquer forma aqui fica o registo fotográfico desse dia. Gostei bastante do resultado, a técnica fotográfica usada acabou por combinar muito bem com o tema. Trata-se de filme de slide revelado com o processo cruzado. Além disso foi usado um filtro polarizador que ressaltou ainda mais as cores. O título deste desabafo corresponde a um dos registos que gosto mais do conjunto, onde um verdadeiro veterano da luta nos chama a atenção a todos.

quinta-feira, fevereiro 25

Um desastre já anunciado

Todos estamos impressionados com os acontecimentos recentes na Madeira. Todos estamos solidários com as vítimas de uma catástrofe natural. Mas isso não basta, é preciso ter um pouco de responsabilidade e ver mais além. Analisar o que realmente aconteceu, e apurar responsabilidades para um desastre à muito anunciado.

quinta-feira, novembro 5

UE Quer Cortar Internet aos Piratas

O Parlamento Europeu chegou a acordo sobre legislação que autoriza corte de Internet aos "piratas" sem ordem judicial prévia. Antes que entre em vigor ainda é necessário que os ministros das Telecomunicações se pronunciem e que seja seja uma transposição para a lei de cada país.

Achei super-engraçada a citação da comissária europeia responsável pelas Telecomunicações que afirmou-se tratar-se de "uma grande vitória para os direitos e liberdades dos cidadãos europeus". Segundo a notícia tais medidas deverão ser implementadas "respeitando o princípio da presunção da inocência e o direito à privacidade" e como resultado de um "procedimento prévio, justo e imparcial". O alegado infractor poderá recorrer à posteriori. Na realidade estão-nos a retirar o direito à presunção de inocência (aquela velha história do inocente até provado o contrário).

É óbvio que esta é uma medida completamente desligada da realidade e patrocinada pelos grandes interesses económicos, os eleitores que estes senhores representam desde os seus confortáveis poleiro na União Europeia não estão de acordo com estas medidas. Esta legislação tenta apenas assegurar os lucros das editoras, distribuidoras e dos grandes estúdios, em detrimento dos direitos fundamentais dos cidadãos. Por isso mesmo é que pela Europa começam a aparecer "Partidos Piratas" com expressão eleitoral não desprezível. E sim já existe o Partido Pirata Português, podem ir ao site e consultar informação sobre a contestação as estas medidas que vão contra as nossas liberdades fundamentais um pouco por todo a Europa dos 27.

Actualização:
Encontrei numa outra fonte uma interpretação ligeiramente diferente desta notícia, em que se diz que não haverá desconexão da Internet sem que haja uma audiência com o visado antes da sua desconexão da Internet. Isto faz toda a diferença, isto já garante as liberdades fundamentais dos cidadãos europeus.

terça-feira, junho 23

A Revolução Iraniana na Net

As eleições no Irão ainda estão muito frescas, mas desde antes sequer que da sua realização que a polémica se instalou. O regime fundamentalista islâmico que governa o pais é uma suposta democracia, mas não dispensa a censura e a repressão como instrumentos de controlo da população. Ainda durante a campanha eleitoral houve muitos cidadãos a expressar as suas opiniões e divergências através de serviços online como o Twitter e o Facebook. Claro que isto provocou uma espécie de guerra na net entre o regime e os iranianos.

O acesso aos sites usados para exercer a liberdade de expressão foram bloqueados, no entanto prontamente surgiu um movimento espontâneo a nível internacional que visava ajudar quem quisesse libertar-se destas barreiras. Houve muita gente a fornecer proxys e outras alternativas técnicas para escapar. Para exprimir o seu apoio ao povo da antiga Pérsia houve muitas entidades que tomaram medidas simbólicas apressadas, como o Google que inclui o Persa como língua suportada em vários dos seus serviços. No youtube, alguém criou o CitizenTube, um canal para divulgar o que se está a passar. No Last Freedom é possível ter uma ideia de tudo o que se está a passar.

Às eleições que muitos acusaram de terem sido fraudulentas sucedeu-se a prisão de jornalistas em massa. Nos últimos dias multiplicaram-se as manifestações populares e os tumultos, de tal forma que já não é possível ao regime de Teerão controlar a oposição interna. Aparentemente os opositores internos às figuras de topo já estão a congeminar uma liderança alternativa. Espero que a liberdade de expressão prevaleça, mas este episódio já ficou para a história como a primeira vez que a Internet é usado como um instrumento revolucionário, como o meio usado para transmitir a vontade de um povo e de um país.

sexta-feira, junho 5

O Direito à Memória

Ontem foi o vigésimo aniversário do que começou como um protesto pacífico em Beijing, um acto de coragem que acabou por ficar para a história como o Massacre de Tiananmen. Importa que recordemos a efeméride, sobretudo porque num regime como o chinês os cidadãos não têm direito à memória, o Estado decreta até sobre as recordações.


Imagem picada da Wikipedia.

quinta-feira, abril 23

Em Nome do Pai

A polémica do atentado aos direitos do homem na luta anti-terrorista ficou ultimamente em segundo plano em relação a notícias mais prementes, como a crise económica. Mas o facto é que as tentações para atentar aos direitos civis em nome da luta contra o crime, a droga, o terrorismo ou qualquer outro terror sem nome não desapareceram da nossa sociedade. Muitas vezes para confortar a opinião pública anunciam-se medidas de excepção, sem pensar muito bem nos efeitos e nas consequências, sobre os suspeitos e sobre a população em geral.

O filme "In the Name of the Father" trata sobre uma destas situações. A base do filme é a auto-biografia de Gerry Conlon, um dos Guildford Four, quatro pessoas injustamente condenadas por um atentado do IRA em Guilford em 1974 que matou 5 pessoas e feriu 65. Estas pessoas e parte das suas famílias passaram anos na prisão, inclusivamente o pai de Gerry morreu na prisão, daí o título. Anos mais tarde, foram ilibados e libertados, sem fazer muito alarido de modo a não prejudicar a imagem do sistema judicial inglês. Além do filme ser muito bom, serve para abrir os olhos para os perigos da tentações totalitárias, mesmo em sociedades democráticas ocidentais.

segunda-feira, março 9

Quem Matou o Carro Eléctrico?

Mais uma para os fãs das teorias da conspiração, mas também para qualquer pessoa que tenha uma consciência ecológica apresento um documentário sobre um modelo de carro eléctrico que foi comercializado à cerca de dez anos no EUA, no estado da Califórnia. Sim, tal coisa existiu mesmo, na altura também não ouvi falar. Além do EV-1 que foi desenhado de raiz pela General Motors, várias outras marcas adaptaram modelos existentes para que se movessem a electricidade. Apesar da versão oficial das marcas que diziam que tinham gasto milhões em publicidade e que os consumidores não queriam este produto, os carros tinham uma legião de fãs fiel que tudo fez para salvar o veículo limpo e silencioso. Apesar do movimento a seu favor os carros acabaram por desaparecer do mercado, foram retirados de circulação pelas marcas e destruídos. Dez anos depois voltámos à estaca zero, e começam de novo a aparecer protótipos. Porque é que perdemos dez anos? É a esta pergunta que o documentário tenta responder. Podemos reunir os suspeitos do costume, a industria do petróleo, grandes interesses económicos e políticos gananciosos. Obrigado ao Fred pela dica.


A segunda parte do vídeo está aqui.

quarta-feira, março 4

Um Jogo Perverso

Vale a pena apontar um excelente artigo no Diário Económico de hoje sobre a realidade pós-colonialismo. Fernando Gabriel explica a lógica hipócrita do países ocidentais em relação a África, dão com uma mão e tiram com a outra, cultivando a corrupção entre os caciques locais e favorecendo as assimetrias com o mundo desenvolvido. Muito lúcido também é o aviso que é deixado, África não ficará adormecida para sempre, há países como a China que estão a fazer investimentos com critério e estão a dar a oportunidade às economias locais que cresçam e se desenvolvam. Apesar de estarmos habituados a ser o "primeiro mundo" é perfeitamente cabal que jogo geopolítico se inverta. Já há pequenos sintomas que validam essa possibilidade, como os imigrantes nos EUA que começam a voltar aos países de origem depois de adquirirem formação superior.


As fotografias são da autoria de Sebastião Salgado, e fazem parte do seu trabalho "África".

quinta-feira, janeiro 29

Campanha Negra

O caso Freeport voltou à ordem do dia, tudo por causa de uma investigação da polícia inglesa ao processo de licenciamento feito à pressa, na véspera de uma mudança de governo. As últimas novidades misturam o nome do nosso primeiro-ministro com a palavra suborno. Por cá não há suspeitos do caso, dizem que só estão a cruzar elementos de informação. E o nosso primeiro defende-se com uma teoria da conspiração.

Já não é a primeira vez que passo por esta provação. A provação de ter de enfrentar uma campanha negra com as habituais técnicas da deturpação e da insidia


Será que desta vez vai ser tudo varrido para debaixo do tapete? Ou vai ser diferente, por ser uma verdade inconveniente a nível internacional...

P.S.: também corre por aí o boato que Sócrates foi apanhado numa mentirinha sobre a OCDE!

quinta-feira, janeiro 15

Dinheiro Público em Portugal

Entrou recentemente em funcionamento um projecto da Ansol que permite pesquisar sobre o BASE (Contratos Públicos Online). A ferramenta chama-se site da transparência e permite revelar algumas situações caricatas, como as descritas no Aberto até de Madrugada. A ferramenta é excelente, não só porque mostra algumas situações um pouco estranhas, e que nos fazem pensar sobre a aplicação de dinheiros públicos. Mas também porque é um exemplo de como é possível construir algo útil aproveitando o software livre para reduzir os custos.

Em termos de software, é um bom exercício observar quanto é que é pago a grandes fornecedores como a Microsoft e a HP, quanto desse dinheiro é que poderia ser poupado através do software livre... E claro depois há as obras a sério... Tudo isto vem bem a propósito da intenção manifestada pelo Governo de alargar para 5,1 milhões de euros o limite dos valores das obras que podem ser adjudicadas pelo regime de ajuste directo.

Obrigado ao Sérgio por me chamar a atenção para esta ideia notável.

terça-feira, dezembro 23

O Legado Bush

Não sei o que ficará para a história, mas neste momento George W. Bush é um dos presidentes mais impopulares que os EUA já tiveram, e é também uma das personagens mais odiadas a nível internacional. O recente episódio em que um jornalista iraquiano lhe atirou os seus sapatos numa conferência de imprensa (sinal de desprezo na cultura local) é sintomático disso mesmo. O jornalista ficou automaticamente famoso, há suspeitas que foi espancado imediatamente a seguir e pesa sobre ele um processo judicial com perspectivas de muitos anos atrás das grades. Mas há muitos que o considerem um herói. A reacção foi imediata, as notícias e os comentários multiplicaram-se. E deram origem a uma série de curiosidades. Por exemplo existe um sítio web com a mensagem "obrigado por atirares o teu sapato" que recolhe agradecimentos personalizados, basta tirar uma foto com um sapato na mão e enviar. Também são extremamente populares os jogos baseados no incidente, a mecânica é extremamente simples, atirar vários tipos de sapatos ao Presidente em fim de carreira.

A tradição estado-unidense é construir uma biblioteca para albergar o espólio deixado por cada presidente que se reforma. A biblioteca Bush já foi projectada, mas presumivelmente vai ser um projecto conversador (em termos arquitectónicos). Mas o desafio lançado pelo The Chronicle of Higher Education foi das coisas mais originais que encontrei ultimamente. Os leitores são convidados a fazer um esboço na parte de trás de um envelope para o que poderia ser edifício que representasse a era Bush. Tiveram uma aderência massiva, e os projectos finalistas foram divulgados recentemente. Acho que há ideias geniais, pessoalmente a minha preferida é uma biblioteca que tem apenas uma fachada falsa, e por trás o edifício é um buraco no chão com um lago que reflecte as janelas no meio. Mas gostos e opiniões pessoais à parte, o que é certo é que está bem patente que os americanos querem mudar.


Obrigado ao Bruno por me chamar a atenção para esta pérola.

sexta-feira, novembro 7

A Verdade Sobre o BPN

O governo nacionalizou recentemente o BPN, a notícia saiu a público dando a impressão que se estava a fazer o mesmo que está a ser feito um pouco por toda a Europa, salvar uma instituição em dificuldades para salvar todo o sistema financeiro nacional. Mas a verdade é que o banco andava em dificuldades à bastante tempo, muito antes de todo o assunto do subprime vir a lume. A pura verdade é que toda a gente fechou os olhos às trapaças que andavam a ser perpetradas até ser tarde demais. Exactamente o que aconteceu no BCP. Onde estavam as entidades reguladoras? É essa mesma pergunta que faz Ricardo Costa no Diário Económico, a sua conclusão é simples:

Em Portugal é mais fácil levar um banco à insolvência do que vender uma bola de Berlim na praia.

quarta-feira, outubro 29

Votos Trocados

As ultimas presidenciais americanas deixaram muitas dúvidas, houve um quase empate técnico. Mas houve a polémica sobre a auditoria de sistemas de contagem de votos automatizados que foram sendo introduzidos aos poucos nos EUA para facilitar a contagem de milhares e milhares de votos. Os Simpsons recentemente revisitaram esse estigma num dos seus episódios. Coincidência ou não, começaram a aparecer relatórios de eleitores que presenciaram o seu voto a mudar de Obama para McCain.

quinta-feira, outubro 9

Magalhães e o Marketing Político

Todos conhecem Fernão de Magalhães (ou pelo menos já deviam ter ouvido falar). Foi o navegador português que empreendeu a primeira viagem de circum-navegação da Terra. Infelizmente não chegou ao fim, pereceu durante a heróica viagem que foi terminada pelo seu imediato espanhol, Juan Sebastián Elcano. Apesar de não ter visto o término do seu caminho, foi o primeiro a dobrar o estreito que ainda hoje é conhecido pelo seu nome, o Estreito de Magalhães.

Isto foi a introdução histórica, passemos aos dias de hoje, e falemos sobre como este nome foi subvertido para o marketing político. Decerto também já todos ouviram falar do computador Magalhães, que está a ser distribuído aos alunos do Ensino Básico. Trata-se na realidade de um computador Intel Classmate, o principal concorrente do OLPC. Apesar do que possa dizer o governo, a máquina não é produzida em Portugal, simplesmente é montada em Portugal. No entanto o negócio é positivo para ambas as partes, a Intel está a facturar por cada computador vendido, e o governo português pode dar ares de estar a seguir as ultimas tendências da pedagogia.

O governo devia-se preocupar menos com estas jogadas e mais com a qualidade do ensino. Até os apóstolos da tecnologia como Steve Jobs acham que o realmente necessário é dar bases de conhecimento fortes nos quais basear a aprendizagem. O resto virá por si só. Para qualquer criança é extremamente fácil pegar num computador e aprender a usar a internet. Se realmente queremos ter esperança de um dia vir a produzir tecnologia como o Magalhães em Portugal precisamos é que ensinem Línguas, Matemática, Física e Química às crianças. Não que nos venham atirar areia para os olhos.


Esta caricatura veio do blogue Anterozóide, ao qual aproveito para prestar a minha homenagem pelo trabalho que tem feito para denunciar a má Educação portuguesa.

segunda-feira, setembro 8

Os Porcos

Países excitantes obtém acrónimos excitantes, pelo menos nos círculos financeiros. O Brasil, a Rússia, a Índia e a China, por exemplo, países em crescimento rápido, são chamados BRICS [tijolos], as próprias iniciais indicando um crescimento sólido. Outros países têm menos sorte. Vejam por exemplo, Portugal, Itália, Grécia e Espanha [Espanha], às vezes chamados PIGS [Porcos]. É uma alcunha pejorativa mas com muita verdade.

Vale a pena ler o resto, a notícia original veio num artigo do Financial Times de 31-8-2008. Podem encontrar a tradução completa do artigo em Português no Portugal Profundo.

Actualização: Parece que o Ministro Português da Economia, Manuel Pinho se sente "ofendido" com o teor da notícia. Questionado sobre um eventual protesto junto do jornal britânico, o ministro da Economia e Inovação optou por não revelar a intenção do Governo português.

terça-feira, setembro 2

Ajustamento da economia só com cortes nos salários

No outro dia saiu uma notícia com este título no Diário Económico, uma entrevista a um tal Pedro Ferraz da Costa. Não faço ideia de quem seja o cavalheiro. Pelo que consegui apurar gosta de andar metido em politiquices, e é de direitas. Mas posso dizer que fiquei com fraca opinião dele. Ou é pouco inteligente, ou extremamente ganancioso, provavelmente ambas. Deixo aqui o comentário que fiz ao artigo, mesmo a propósito hoje mesmo soube que as remunerações dos administradores das grandes empresas aumentaram no primeiro semestre do ano. A crise não é para todos afinal.

Realmente a nossa legislação laboral está muito desajustada, mas não admira. Por um lado temos os sindicatos que se tornaram forças de bloqueio, meros braços políticos de partidos ou grupos de interesse, que se sentam à mesa das negociaçãoes para garantir que o lobby que representam não saia mal parado. Por outro lado temos o patronato que continua a pensar com a mesma lógica datada de à 20 anos atrás. Continua a querer viver da mão de obra barata e de estratégias de mercado terceiro mundistas.

Só um exemplo de algo que eu gostava de ver mudada na Lei do trabalho, e que realmente beneficiaria a mobilidade dos trabalhadores. Na maioria dos países com legislação moderna o prazo de pré-aviso de despedimento por parte do trabalhador é de quinze dias. Aqui temos regras anacrónicas que dizem que esse aviso pode ir até dois meses...

Quanto a cortar nos salários concordo perfeitamente. Em Portugal verifica-se o maior desequilíbrio entre a remuneração dos trabalhadores e das chefias de alto nível. Deviam cortar nos salários de todos os administradores de meia tijela que há por aí, a maioria gente sem qualificações que está lá a segurar o tacho.

terça-feira, julho 8

Evitámos um novo chiado

Esta semana houve um edifício que foi destruído por um incêndio na Avenida da Liberdade, o esforço dos bombeiros conseguiu conter a área ardida, diz-se que evitaram um novo desastre como o do Chiado. Como é apanágio dos portugueses todos nos lembrámos das desgraças passadas, à muito esquecidas, reacendeu-se o debate sobre o prédios devolutos nos nossos centros urbanos. Ao que parece na área deste incêndio existem cerca 65 mil metros quadrados de devolutos. Há quem diga que a solução passa por fechar os edifícios a sete chaves, e por a policias a fiscaliza-los. Uma solução perfeitamente idiota, daquelas que só serve para tapar o sol com a peneira, o verdadeiro problema é o aparente abandono de edifícios nos centros urbanos, e creio que a solução é exactamente a oposta. Já proferi a minha opinião sobre essa tema à bem pouco tempo.

terça-feira, junho 17

Em Defesa da Língua Portuguesa

Já exprimi a minha opinião contra a recente tentativa de legislar sobre o modo como escrevo. Não sou o único a discordar desta medida, neste momento existe um movimento organizado que pretende levar o seu protesto perante o Parlamento. Foi estabelecida uma petição online que já recolheu o número de assinaturas necessário para levar o tema a discussão, inclusive já foram entregues ao Presidente da Assembleia da República. Entretanto os subscritores da petição continuam a acumular-se demonstrando o número de portugueses que discordam desta cretinice. É possível descobrir mais detalhes sobre esta petição e o movimento por trás dela no blog Em Defesa da Língua Portuguesa Contra o Acordo Ortográfico.