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quarta-feira, agosto 1

Fazer localização geográfica com o telemóvel

Da última vez que escrevi falei de localização geográfica, como se relacionava com a fotografia, e para que servia. Tal como prometido hoje vou falar de um método simples para armazenar a informação geográfica num telemóvel e mais tarde relacioná-la com as nossas fotografias. Os exemplos que vou citar referem-se equipamento de que disponho pessoalmente, mas o importante é o método. Facilmente podemos encontrar as ferramentas necessárias para lidar com outro tipo de equipamento.

A lista de pré-requisitos é simples, uma câmara fotográfica digital, e um smartphone. Um pormenor a ter atenção é verificar que os relógios de ambos estão sincronizados. É a partir da dimensão temporal que vamos estabelecer um paralelo entre a informação de localização que vamos armazenar no telemóvel, e as fotografias que capturarmos. O processo tem portanto duas fases distintas, numa primeira fase, e ao mesmo tempo que estamos a fotografar, recolhemos os dados no smartphone. Mais tarde, incorpora-se essa informação nas próprias fotografias, num processo conhecido por "Log Matching".

O primeiro passo é instalar no nosso smartphone uma aplicação capaz de gravar o nosso percurso. Hoje em dia existem inúmeras aplicações vocacionadas para o desporto que nos permitem saber a distância percorrida e velocidade. Na realidade essas aplicações registam o nosso trajecto através de dados de posicionamento GPS e realizam cálculos sobre esses dados. Apesar de não estarem vocacionadas para fotografia são exactamente o que precisamos. Pessoalmente tenho um telefone Android e uso o My Tracks da Google. Para iOS poderá ser utilizado algo como o Runkeeper. O que app tem fazer é registar o nosso percurso e permitir mais tarde realizar a exportação para ficheiro, em formato gpx de preferência.

Quando decidirmos ir fotografar convém verificar a questão dos relógios que falei acima. Depois é só ligar a aplicação, e dar asas à imaginação. Como falei a maioria das aplicações estão orientadas ao desporto, portanto é como se começámos uma corrida cada vez que começamos a disparar. Uma vez terminada a sessão de fotografia assinalamos o fim do trajecto e já está. A aplicação vai guardar o nosso percurso. Convém guardar a data e alguma informação descritiva para poder mais tarde identificar objectivamente os vários trajectos que se podem ir acumulando.


Numa fase posterior, quando tivermos um computador pessoal disponível devemos exportar os dados do nosso trajecto no telemóvel e usar um programa de edição gráfica para incorporar a informação nas fotos. A maioria dos programas de pós-produção fotográfica mais conhecidos implementam a funcionalidade necessária (Aperture, Lightroom). Pessoalmente uso o Nikon ViewNx2, gratuito e com imensas potencialidades. E lá por ser da Nikon não quer dizer que não funcione com outras câmaras, pelo contrário. Depois de carregar as fotos no nosso programa preferido, devemos seleccionar-las e escolher a opção log matching. Nesse momento vamos carregar o ficheiro .gpx que fomos buscar ao telemóvel e será estabelecida uma relação automática entre as fotos e os locais. Não esquecer gravar as alterações...



Se a ideia de tudo isto for mesmo fazer upload das fotos para algum sítio, como foi o meu caso, é melhor assegurar-nos que o sítio web que estamos a usar vai ler esta informação. Por exemplo eu tive de ligar o suporte para as tags GPS no Flickr. Também existe a possibilidade de realizar este processo de "log matching" online com fotos que já foram penduradas online anteriormente.

terça-feira, julho 10

Localização geográfica de fotografia

O artigo de hoje vai ser introdutório, neste texto vou explicar alguns conceitos, mais tarde vou partilhar um método simples e pouco dispendioso para fazer a etiquetagem geográfica de fotografias. Este termo foi a melhor tradução que conseguir encontrar para geotagging, mas acaba por descrever exactamente o que pretendemos atingir, embeber numa fotografia a localização geográfica exacta onde foi captada. Também existem métodos para registar este tipo de informação noutros meios (vídeo e páginas  html por exemplo) mas vou falar do caso concreto da fotografia apenas.

A localização geográfica é utilizada por profissionais de algumas áreas para conseguir uma representação muito fiel de um local, por exemplo um levantamento arqueológico ou geológico. Mas pode servir simplesmente para organizarmos as fotos das férias. É claro que se for necessário um elevado grau de confiança uma solução técnica profissional poderá ser mais indicada.

Hoje em dia muitos serviços que usamos diariamente como o Google ou o Facebook dão cada vez mais importância à informação geográfica, e esforçam-se por saber por onde andamos. É óbvio que se levantam algumas questões sobre privacidade, num mundo cada vez mais público, precisamos ter algum cuidado com o que revelamos. O sítio web que uso para armazenar e organizar as minhas fotos também suporta informação geográfica, é a minha galeria que vou usar como exemplo mais à frente. Sobrepondo num mapa fotografias podemos reviver percursos feitos em tempos, talvez perceber como (re)visitar algum local que nos tenha deixado encantados. O Google Maps há muito que implementa esta funcionalidade.


Os formatos que usamos normalmente para manejar as imagens captadas pelas nossas câmaras estão preparados para conter mais informação além da imagem propriamente dita. A etiqueta EXIF é uma forma normalizada de guardar informação auxiliar. Por exemplo a informação óptica sobre a captação da foto é armazenada lá. A abertura, o tempo de exposição, e a sensibilidade ISO são os dados básicos. É também aqui que vai ficar registada a informação geográfica. Podemos visualizar essa informação através das propriedades do ficheiro no sistema operativo, no entanto um programa de fotografia dará muito mais informação. Podem espreitar as propriedades de uma foto que tirei nas minhas últimas férias para ter uma ideia, entre muitas outras coisas estão lá as coordenadas GPS.

Hoje em dia qualquer smartphone tem esta capacidade, basta a opção estar activa o telefone ter o serviço GPS disponível e irá a imagem ficará automaticamente geolocalizada. Já existem algumas câmaras fotográficas no mercado com esta função, mas normalmente as soluções para DSRL's são dispendiosas, implicando a compra de um acessório separado. Fiquem sintonizados para saber como fazer isto virtualmente grátis...


segunda-feira, julho 26

Maslow e o Facebook

No outro dia deparei-me com uma adaptação bastante engraçada das Teorias de Maslow sobre a motivação e as necessidades humanas ao uso da Internet no dia a dia. Trata-se de uma piada, mas é bastante aplicável até. A associação deixou-me a pensar.


Nesta versão do diagrama encontram lugar sobretudo os pretextos que nos fazem perder tempo na Internet. Coisas clássicas e intrigantes como a paixão dos utentes do youtube por vídeos de gatinhos. E claro está... reza a lenda que Internet floresceu por causa da pornografia. A última coisa a fazer é trabalhar!

O diagrama original também é uma pirâmide, mas a verdadeira teoria fala sobre as motivações para as nossas acções, e de forma mais importante sobre aquilo que pretendemos atingir. A ideia é que precisamos primeiro realizar as nossas necessidades mais básicas, como respirar, comer, sobreviver. Depois à medida que subimos na pirâmide as necessidades vão ficando mais abstractas. Nem toda a gente quer ser um sábio ou uma celebridade, há quem se contente com uma vida confortável. Mas qualquer um se pode facilmente identificar com as necessidades que estão previstas. Todos precisamos de ter alguém para fugir à solidão, todos queremos ser respeitados.


Mas a utilização da teoria e do diagrama no contexto da Internet fez-me pensar noutra coisa. Na obsessão de cada vez mais gente com as redes sociais, e afins. Ou até mesmo os jogos online. Num mundo como o nosso de profunda competição e instabilidade, será que as pessoas esperam obter a realização que precisam da Internet? Será que é por isso que é tão importante ter milhares de amigos no Facebook... que toda a gente goste das nossas ligações, e as nossas fotografias tenham muitos comentários? Nos jogos ainda é mais fácil estabelecer um paralelo, há muita gente por aí que passa horas em frente a um monitor em tarefas repetitivas para depois se poder gabar das suas aventuras virtuais, das suas posses virtuais, e do nível na hierarquia virtual.

É certamente mais fácil. Luta-se contra obstáculos que foram feitos para ser ultrapassados. Recompensas que foram feitas para ser ganhas. Mas será que estas realizações são mesmo reais ou apenas virtuais? De qualquer forma, parece-me uma boa explicação para as pessoas darem demasiada importância a coisas que não têm cabimento algum... Creio que a triste realidade é que as pessoas que dão demasiada importância à sua vida virtual acabam por ficar cada vez mais sozinhas no mundo real.

quarta-feira, junho 2

Curiosidades Tecnológicas Inúteis

Há muito pouca gente que tenha o hábito de escrever SMS em português correcto... Dá trabalho! Existe a escrita inteligente mas aquilo é uma seca, forçosamente é preciso andar a introduzir palavras no dicionário volta e meia. Depois já se desenvolveu uma espécie de calão em torno das abreviaturas, infelizmente até se confunde esse calão com o português. Substituir os c's por k's ou abusar dos x's fica tão feio... Eu até tento ser correcto, mas o resultado normalmente é algum texto breve e enigmático ou jogos de palavras ininteligíveis.

Mas além da pura preguiça há outra questão importante, existe um limite de caracteres. Esgotando esse limite a mensagem acabará por ser dividida em duas (ou nas que forem necessárias). No outro dia reparei num detalhe curioso, se escrevesse muitos caracteres acentuados o limite esgotava-se num ápice. E claro com a minha curiosidade natural lá fui procurar qual a razão (embora já desconfiasse). O distinto senhor que que inventou os SMS meteu na cabeça que tinha de atingir um certo limite de caracteres para que aquilo fosse minimamente útil. E estamos-lhe todos muito agradecidos por isso. O limite é 160 caracteres por mensagem, com o pequeno detalhe que o número de símbolos (as letras e os diacríticos mais usuais). Depois o resto consegue-se por composição de símbolos, qualquer coisa como "a + ~ = ã".

Eu fiquei contente porque adivinhei a raiz do meu problema (é usada uma codificação de caracteres com apenas 7 bits)... A utilidade prática é duvidosa, mas pelo menos descobri que para poupar nos SMS é preciso escrever mal!

sexta-feira, setembro 11

Volta Alan Estás Perdoado

O governo britânico, na pessoa de Gordon Brown, finalmente pediu desculpa ao matemático Alan Turing. Este senhor foi o pai da teoria da computação e criador do primeiro computador. Há por aí muita gente que diz que o primeiro computador foi o americano ENIAC, mas na realidade o primeiro computador foi criado durante a guerra por uma equipa liderada por Turing. Chamava-se Colossus e foi utilizado para quebrar o código das máquinas de código Enigma alemãs que eram usadas para comunicar de forma cifrada entre o Berlim e as suas tropas.

Mas porque este cientista cujo trabalho influenciou definitivamente o curso do maior conflito bélico da humanidade, e é portanto nada mais nada menos que um herói, precisa de um pedido de desculpas post-mortem? Alan Turing morreu em desgraça em 1954, a morte por cianeto foi considerada suícidio. Alan tinha sido julgado e condenado pouco tempo antes por ser homossexual, um crime punido pela lei na altura.

As teorias deste homem estão na base da maioria das coisas que damos por adquiridas hoje em dia. E o seu trabalho continua a ser ensinado em escolas e universidades em todo o mundo, sendo perfeitamente actual. Pena que a ignorância dos homens tenha sido maior que o seu génio.

segunda-feira, agosto 24

Conselhos Informáticos

O xkcd é uma tira cómica realmente genial, com piadas que só são possíveis de entender para geeks, ou pelo menos com alguém com muita cultura geral. De quando em vez aparece alguma pérola realmente brilhante. Como é o caso da que vou apresentar hoje.

Eu já sofri desta sorte, da situação com que eles brincam. Lá por a minha actividade estar relacionada com computadores não tenho obrigação de saber fazer tudo com computadores. E realmente quando me perguntam algum normalmente uso a técnica abaixo...


Imagem picada do webcomic xkcd.

sexta-feira, julho 24

Quitanço para Câmaras Canon

Todas as câmaras da gama point-and-shoot da Canon usam o mesmo tipo de processador, e são na realidade muito parecidas por dentro. Dependendo do modelo as capacidades que ficam disponíveis ao utilizador diferem bastante. Mas como têm o mesmo coração, até a máquina mais rasca tem a capacidade de fazer coisas como tirar fotos em formato RAW, fazer focagem manual, ou regular a exposição e e abertura. Para destrancar este potencial basta instalar o CHDK, uma extensão ao firmware das câmaras que possibilita tudo isto e muito mais sem fazer nenhuma modificação permanente à máquina. Trata-se de software livre, desenvolvido por entusiastas e ao qual são feitos melhorias constantes.

O processo de instalação é super simples, basta copiar alguns ficheiros para o cartão de memória. Inseri-lo na câmara, pedir para utilizar o novo software, e voila, temos acesso a uma série de novas funções. Claro que é um pouco mais complicado do que isto. Mas qualquer fotografo que se preze é capaz de por a coisa a funcionar. Eu fiz a experiência no outro dia na minha Powershot G9 e demorou apenas um instante. Experimentar e dominar os novos poderes ao meu alcance é que vai levar mais algum tempo. Mesmo para uma câmara relativamente poderosa como a minha à adições muito interessantes como a capacidade de correr programas definidos por nós. Existem alguns programas já disponíveis, mas o que mais me interessa é um script que permite tirar fotos a intervalos regulares automaticamente. Dentro em breve quero fazer um filme em time-lapse.


Imagem picada da wiki do CHDK.

quarta-feira, julho 22

What the F**K is Social Media

Social Media é um termo que está muito em voga hoje em dia, e tal como a maioria dos chavões é dito muitas vezes à boca cheia sem se saber muito bem do que se fala. Esta pequena apresentação que roubei justamente a um amigo no Facebook explica muito bem a coisa.

Uma apresentação de Marta Kagan.

segunda-feira, julho 20

Man on The Moon

Hoje celabra-se uma efeméride importante, foi há 40 anos que um homem pisou a Lua pela primeira vez. A corrida ao espaço gerou a tecnologia que permitiu dar os primeiros passos noutro corpo celeste mas também gerou os mísseis inter-continentais e assegurou as ameaças veladas da guerra-fria. Será que aprendemos qualquer coisa desde então?

terça-feira, junho 23

A Revolução Iraniana na Net

As eleições no Irão ainda estão muito frescas, mas desde antes sequer que da sua realização que a polémica se instalou. O regime fundamentalista islâmico que governa o pais é uma suposta democracia, mas não dispensa a censura e a repressão como instrumentos de controlo da população. Ainda durante a campanha eleitoral houve muitos cidadãos a expressar as suas opiniões e divergências através de serviços online como o Twitter e o Facebook. Claro que isto provocou uma espécie de guerra na net entre o regime e os iranianos.

O acesso aos sites usados para exercer a liberdade de expressão foram bloqueados, no entanto prontamente surgiu um movimento espontâneo a nível internacional que visava ajudar quem quisesse libertar-se destas barreiras. Houve muita gente a fornecer proxys e outras alternativas técnicas para escapar. Para exprimir o seu apoio ao povo da antiga Pérsia houve muitas entidades que tomaram medidas simbólicas apressadas, como o Google que inclui o Persa como língua suportada em vários dos seus serviços. No youtube, alguém criou o CitizenTube, um canal para divulgar o que se está a passar. No Last Freedom é possível ter uma ideia de tudo o que se está a passar.

Às eleições que muitos acusaram de terem sido fraudulentas sucedeu-se a prisão de jornalistas em massa. Nos últimos dias multiplicaram-se as manifestações populares e os tumultos, de tal forma que já não é possível ao regime de Teerão controlar a oposição interna. Aparentemente os opositores internos às figuras de topo já estão a congeminar uma liderança alternativa. Espero que a liberdade de expressão prevaleça, mas este episódio já ficou para a história como a primeira vez que a Internet é usado como um instrumento revolucionário, como o meio usado para transmitir a vontade de um povo e de um país.

terça-feira, abril 7

Contagem Decrescente para o Jaunty

Começou a contagem decrescente para o lançamento da versão nova do meu sistema operativo favorito. Esta edição traz muitas novidades, desde o suporte para computadores mais pequenos até à nuvem... Dêm uma olhadela nas novidades, descarreguem, experimentem.

Telemóvel com Cabeça

Uma das coisas que mais me irrita nos telemóveis é a sua evolução. O terminal em si evolui bastante, de algo que apenas imitava um telefone fixo para uma amálgama de tecnologia que faz tudo e um par de botas e é um objecto de design, quase um símbolo de estatuto social. Para além de falar (o suposto objectivo de um telefone) hoje em dia é possível mandar mensagens com ou sem imagens e vídeo, ter uma agenda, jogos, câmara, GPS, etc, etc... Claro que isto veio aumentar o preço dos terminais, basicamente hoje em dia paga-se pelo último modelo porque é giro, ou traz esta ou aquela funcionalidade que raramente usamos. Sou absolutamente averso a esta tendência, o meu telefone pessoal é um terminal que custou menos de 50 euros. Claro que o que interessa aos produtores e vendedores de terminais é justamente o contrário, vender mais tecnologia para vender mais caro.

Hoje apresento um vídeo excelente que trata sobre tecnologias aplicadas ao telemóvel que servem para nos facilitar a vida, e melhor ainda, para nos poupar dinheiro.

segunda-feira, março 9

Quem Matou o Carro Eléctrico?

Mais uma para os fãs das teorias da conspiração, mas também para qualquer pessoa que tenha uma consciência ecológica apresento um documentário sobre um modelo de carro eléctrico que foi comercializado à cerca de dez anos no EUA, no estado da Califórnia. Sim, tal coisa existiu mesmo, na altura também não ouvi falar. Além do EV-1 que foi desenhado de raiz pela General Motors, várias outras marcas adaptaram modelos existentes para que se movessem a electricidade. Apesar da versão oficial das marcas que diziam que tinham gasto milhões em publicidade e que os consumidores não queriam este produto, os carros tinham uma legião de fãs fiel que tudo fez para salvar o veículo limpo e silencioso. Apesar do movimento a seu favor os carros acabaram por desaparecer do mercado, foram retirados de circulação pelas marcas e destruídos. Dez anos depois voltámos à estaca zero, e começam de novo a aparecer protótipos. Porque é que perdemos dez anos? É a esta pergunta que o documentário tenta responder. Podemos reunir os suspeitos do costume, a industria do petróleo, grandes interesses económicos e políticos gananciosos. Obrigado ao Fred pela dica.


A segunda parte do vídeo está aqui.

quarta-feira, dezembro 10

Brincadeiras Tridimensionais

No último encontro que tivemos da comunidade lisboeta de Ubuntu um tópicos que saltou para a mesa foi facilidade (ou dificuldade) de utilização dos programas de manipulação de imagem livres mais conhecidos. Neste tipo de discussão normalmente começar por um ponto muito simples, as ferramentas livres em vez de copiar as ferramentas proprietárias mais conhecidas na sua interface com o utilizador apresentam formas de utilização bastante distintas. Esta questão é para muitos um problema, mas creio que não deveria ser assim. A busca de novas formas de interacção, potencialmente melhores é algo de bom, e que deve ser estimulado em minha opinião.

Há dois exemplos clássicos para esta dicotomia. Nos programas de manipulação de imagem em duas dimensões os protagonistas da batalha são Gimp vs PhotoShop, no encontro uma das opiniões que vieram para a mesa era de que o Gimp tinha uma interface perfeitamente desejável, basta pensar que permite trabalhar em dois monitores. Com as ferramentas de um lado e a imagem que está a ser trabalhada do outro. Mas não me vou deter muito sobre isso, vou antes falar sobre ferramentas para geração de imagens tridimensionais. Hoje em dia o Linux é rei neste tipo de trabalho, os efeitos especiais de filmes multi-milionários são produzidos por render-farms com capacidades impressionantes, que correm o sistema operativo livre. No entanto são produzidas através de programas proprietários como o Maya. O seu equivalente livre mais conhecido é o Blender, que de novo, tem muitos críticos acerca da sua interface.

Foi pois com interesse e curiosidade, ainda com esta conversa fresca na memória, que descobri o apelo de uma das pessoas que colabora no desenvolvimento do Ubuntu. Ele precisava de um programa livre que funcionasse em Ubuntu, foi à procura, e recompilou alguns nomes pedindo a opinião aos frequentadores do seu blogue sobre eles. Mais tarde publicou os resultados da sua investigação. Um dos programas que lhe chamou a atenção foi o Art of Illusion, um programa em Java que portanto funciona em qualquer sistema operativo, extremamente simples e fácil de usar mas ao mesmo tempo bastante poderoso. Uma coisa que ajuda bastante a começar são os tutoriais que foram disponibilizados pela comunidade. Eu resolvi fazer o tutorial mais básico também, alguns passos simples para criar um relógio de areia. Posso dizer que fiquei extremamente impressionado comigo próprio e com o resultado, em cerca de uma hora tinha uma ampulheta com algumas falhas óbvias mas com muito bom aspecto mesmo assim.

Mas voltando ao projecto Blender, alguns artistas já tinham produzidos filmes de animação totalmente independentes usando a ferramenta. Mas aproveito para publicitar Yo Frankie, e o lançamento do primeiro jogo elaborado de base por uma equipa mista, em colaboração com pessoas do projecto Crystal Space. O jogo é totalmente livre para ser descarregado, jogado e modificado. Até à arte é acesso aberto, e os modelos que foram criados para povoar o jogo podem ser reutilizados por quem quiser. Como é isto possível perguntarão alguns, esta gente vai morrer de fome a trabalhar de graça. Existe alguma documentação que está disponível para consulta na Internet, além de alguns tutorais em vídeo no Youtube. Mas na loja online do Blender é possível comprar o DVD do jogo e uma miríade de livros que ensinam a fazer desenho tridimensional, animação e produção de jogos, trazendo a recompensa monetária para as pessoas que fazem este trabalho.

Talvez para os profissionais já com uma rotina de trabalho interiorizada isto não sirva. Mas para quem quer começar, ou simplesmente para os curiosos as ferramentas estão aí e são livres de usar. Só é necessário um pouco de imaginação. Deixo-vos com Big Buck Bunny, uma das personagens que nasceu através do software livre.

segunda-feira, novembro 17

Dar Um para Receber Um

Está quase a começar a edição deste ano do Give One Get One, uma campanha do portátil OLPC que permite nos permite comprar um dos pequenos portáteis. Na realidade vamos estar a comprar dois, mas um deles irá directamente para uma criança por esse mundo fora. Esta campanha já tinha ocorrido em moldes semelhantes no ano passado, a novidade é que o portátil agora também está disponível em qualquer sítio da Europa. Com garantia e sem problemas alfandegários, basta ir até à loja inglesa da Amazon e encomendar.

quinta-feira, outubro 30

Intrepid Ibex

É precisamente hoje o lançamento da última versão do sistema operativo Ubuntu. Entre as novidades contam-se o suporte a cartões 3G para acesso à Internet, um utilitário simples e fácil de usar para montar o sistema numa caneta USB, e como sempre as últimas versões dos programas mais populares de software livre. A comunidade Ubuntu em Portugal irá organizar duas festas de lançamento a decorrer em parelelo, uma em Lisboa e outra no Porto para assinalar a ocasião.

quarta-feira, julho 9

Mais Impressões sobre o EEE

Ainda deu alguma luta, mas já tenho o meu EEE configurado a meu gosto. Instalei-lhe o Xubuntu, a versão leve do sistema operativo que controla a minha máquina principal. Apesar de haver muitos guias e tutoriais por aí, não aconselho a alguém sem conhecimentos técnicos básicos sobre o assunto a substituição do sistema operativo que vem de base. Ainda existem algumas questões que têm de ser resolvidas antes que seja tão fácil fazer a instalação como num sistema normal.

Mas isto não é motivo para preocupações. Para utilizadores não técnicos parece que o sistema Linux que vem de base serve perfeitamente. Até se está a fazer notar uma tendência estranha, parece que as donas de casa ao escolher uma computador ultra-portátil para comprar escolhem Linux, enquanto os geeks escolhem a versão mais cara com Windows XP. Utilizo a palavra estranha, porque foi com estranheza que notícia foi recebida, mas para mim faz todo o sentido. As donas de casa certamente serão mais pragmáticas que os cromos, preferem coisas que funcionem e pronto. Ninguém está à espera de descarregar shareware para pôr na torradeira, nem instalar o antivírus no aspirador, isso é coisa de gente que não tem mais nada que fazer.

Entretanto não consigo evitar sentir-me um pouco precipitado por ter ido a correr para a loja comprar o EEE. Vão chegar muito em breve a Portugal os Aspire One, a resposta da Acer ao EEE, que já vem equipado com os processadores Atom especialmente desenhados para este tipo de mercado.

domingo, junho 29

Já tenho o meu EEE!

O EEE PC da Asus inspirou um novo mercado, o dos chamados ultra portáteis ou internet devices. Indo beber alguma inspiração ao XO o paradigma desta nova moda é a portabilidade e o baixo preço. O EEE tem especificações fracas, mas o que interessa é que é suficientemente poderoso para escrever documentos, consultar o mail, navegar na Internet ou até jogar. Para baixar ainda mais o preço é possível fugir ao monopólio da Microsoft e adquirir um EEE com Linux (que foi o que eu fiz obviamente).

O primeiro modelo saiu em Outubro do ano passado, mas só chegou agora a Portugal. Entretanto já sairam modelos novos, mas ero apenas o modelo mais básico está disponível com teclado português. Os inúmeros concorrentes que lhe seguiram as pegadas também ainda não estão à venda em Portugal. A situação não me agrada, mas já andava à espera demasiado tempo e acabei por comprar o EEE 700.

Estou muito contente, o EEE é ainda mais pequeno do que eu tinha imaginado, a construção parece ser sólida e ainda não me deu nenhum problema. Tenho ainda de instalar a minha distribuição favorita para me sentir mais em casa. A distribuição Linux que vem por defeito é muito simples e amigável, ou seja, está desenhada para utilizadores pouco experientes, eu preciso de algo mais. No entanto já está a cumprir a sua função, escrevi estas linhas enquanto tomava uma cervejola numa esplanada, tive foi de esperar para chegar a casa para ter rede e poder submeter o texto. Agora só falta que instalem wireless municipal em Lisboa! Podem ver a comparação com o meu portátil do trabalho...

segunda-feira, junho 16

Um Conto Americano

Há alguns dias visitei finalmente ao Teatro Nacional D. Maria II, já desde há muito tempo que queria conhecer o teatro pensado por Almeida Garret. Já tinha andado pelo café e pela livraria do edifício, mas desde à muito que alimentava a curiosidade de me sentar numa poltrona e assistir a uma peça.

Foi precisamente na sala Garret que assisti à peça Um Conto Americano, adaptada a partir de um texto que originalmente era um conto para a rádio The Water Engine de David Mamet. A história é simples, muito simples até talvez e cheia de clichés. No entanto o tema que lhe serve de fundo não podia ser mais actual. Está ambientada em Chigago, nos anos 30, quando os americanos vivem mergulhados na Grande Depressão. Um jovem que trabalha como assalariado numa fábrica dedica-se ao ofício de inventor nas horas vagas, conseguindo desenvolver um motor que funciona apenas a água. Pensando que isso lhe trará fama e fortuna, e o livrará a ele e à família da miséria em que vivem dirige-se prontamente a um advogado de patentes. Mas a realidade não é tão cor-de-rosa, e a história acaba por ter um fim triste e sangrento com o protagonista a lutar por salvar a sua invenção.

Posso dizer que fiquei extremamente impressionado com a cenografia e todo o espectáculo em palco. Para isso contribuiu em muito a dimensão do palco e a qualidade da sala. Mas o que me chamou realmente a atenção foi o cenário, uma estrutura metálica única que se desdobra e roda sobre si de modo a seguir a história e os actores, trocando de ambiente num piscar de olhos. Isso e alguns efeitos cénicos para mim nunca vistos numa sala de Teatro como uma chuvada com água de verdade, nada de extraordinário, mas surpreendente na mesma. O texto apesar de não ter sido originalmente pensado para o formato teatral funciona muito bem. E os actores e figurantes também fazem um excelente trabalho a construir esta fantasia soturna e triste. A única peça do elenco que não me convenceu foi actriz principal, uma menina que já fez por aí umas telenovelas, mas que não sei se tem jeito para mais do que isso.

Em jeito de conclusão posso dizer que adorei a peça, a história é muito simples, mas além de ser extremamente actual olha com um olhar crítico a sociedade e como ela é controlada interesses económicos penalizando os comuns dos mortais muitas vezes. Creio que o nome escolhido para a adaptação portuguesa ao teatro deve qualquer coisa ao cliché do sonho americano, que aqui encontra a sua némesis.

quarta-feira, maio 21

Snow Crash

Hoje ao ler um artigo sobre as últimas novidades no Google Earth, a inclusão de uma layer com notícias do Google News, não pude deixar de pensar pela enésima vez na parecença cada vez maior com o globo terrestre pesquisável que aparece em Snow Crash um romance de ficção científica de Neal Stephenson. Não resisti à tentação de pôr-me à procura, e com efeito descobri que essa parecença não é obra do acaso. Pelos vistos a ideia vem do livro mesmo.

Tem personagens interessantes, é politicamente incorrecto, e está salpicado com humor. Além das qualidades literárias, teve realmente a capacidade de nos deixar entrever um pedaço de futuro. Espero bem que alguns outros elementos do livro nunca se venham a concretizar. Mas que mais vos posso dizer, peguem no livro e descubram uma face possível para o apocalipse capitalista.