sexta-feira, abril 27

Poema à mãe

No mais fundo de ti
Eu sei que te traí, mãe.

Tudo porque já não sou
O menino adormecido
No fundo dos teus olhos.

Tudo porque ignoras
Que há leitos onde o frio não se demora
E noites rumorosas de águas matinais.

Por isso, às vezes, as palavras que te digo
São duras, mãe,
E o nosso amor é infeliz.

Tudo porque perdi as rosas brancas
Que apertava junto ao coração
No retrato da moldura.

Se soubesses como ainda amo as rosas,
Talvez não enchesses as horas de pesadelos.

Mas tu esqueceste muita coisa;
Esqueceste que as minhas pernas cresceram,
Que todo o meu corpo cresceu,
E até o meu coração
Ficou enorme, mãe!

Olha - queres ouvir-me? -
Às vezes ainda sou o menino
Que adormeceu nos teus olhos;

Ainda aperto contra o coração
Rosas tão brancas
Como as que tens na moldura;

Ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
No meio do laranjal...

Mas - tu sabes - a noite é enorme,
E todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
Dei às aves os meus olhos a beber.

Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo as rosas.

Boa noite. Eu vou com as aves.

Eugénio de Andrade

terça-feira, fevereiro 14

Todas as Cartas de Amor são Ridículas

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)

Álvaro de Campos

quinta-feira, novembro 24

Sangue do meu sangue

Decidi ir ver este filme enquanto ouvia uma entrevista a Anabela Moreira, uma das atrizes principais, no programa Fala com Ela na Radar. Sou um fã assíduo da Inês Menezes, e sempre que posso escuto o programa. Acontece que nesse dia apanhei o programa a meio, sem saber quem estava a ouvir, mas quando comecei a ouvir falar do último filme de João Canijo fiquei imediatamente interessado.

Ao falar sobre o filme Anabela refere que planeou viver quinze dias na casa onde se rodou o filme, acabando por ficar três meses. Tempo que passou entre vários sentimentos, angústia, medo, empatia com os vizinhos do lado. Começou com a casa inteiramente abandonada e em condições deploráveis onde Rita Blanco apanhou sarna no primeiro ensaio. Ao longo do tempo a casa foi sendo restaurada e mobilada de forma a poder servir de lar às personagens do filme.

Admiro imenso a capacidade que os verdadeiros atores têm de entrar na pele de um personagem. Deixar de ser eu para começar a ser ele. Não falo só de vocabulário, sotaque, ou gestos. Falo também em mudanças físicas, engordar ou emagrecer, ficar com uma pele pouco saudável. Trazer na fronte a marca de uma tristeza que está ancorada nos sentimentos de alguém que não somos nós.

Quando entrei na sala as minhas expectativas eram altas. Até me dei ao luxo de escolher a versão longa do filme. Valeu a pena. Quando o intervalo apareceu eu estava completamente colado à cadeira, olhei para o relógio e já tinham passado quase duas horas... O espetador é transportado para o Bairro do Padre Cruz, torna-se mais um dos vizinhos, um dos habitantes daquela casa. Vários truques cinematográficos para isso contribuem, os planos com múltiplas cenas e reflexos, os constantes diálogos cruzados nem que seja com o barulho dos vizinhos obrigam-nos a estar sempre extremamente atentos. Os cenário são magníficos, perfeitos, porque não são cenários. São as casas e as ruas do bairro. Os figurantes são os habitantes do bairro. A fotografia dá o suporte técnico para que a fealdade deste mundo se torne bela quando foca de perto os dramas pessoais das pessoas.

Mas voltando aos atores e à sua relação com os personagens, as interpretações são magníficas, com especial destaque para os membros da família. O sentimento de realidade, nua e crua em que mergulhamos é amplificado quando nos reconhecemos no dia a dia familiar. Há muitas coisas que parecem estranhas de início, mas todos somos estranhos não é? A longo do filme o argumento vai-se desenrolado e a história acabar por contorcer-se de tal forma que se assemelha ao enredo duma telenovela venezuelana. Mas mesmo assim o sentimento de realidade e de empatia com as personagens não é suspenso. Aproximamos-nos cada vez mais duma conclusão inexorável, a vida continua, é preciso ter força fazer o que é preciso.

Para mim este filme está à altura de grandes obras do cinema dos últimos anos, como Magnólia e American Beauty. E comparo-o diretamente com eles porque trata do mesmo tema, da natureza humana e dos grandes dramas que estão encerrados no simples quotidiano do dia a dia.

quarta-feira, junho 1

Opinião

Podem me prender, podem me bater
Podem até deixar-me sem comer
Que eu não mudo de opinião.
Daqui do morro eu não saio não, daqui do morro eu não saio não.

Se não tem àgua, eu furo um poço
Se não tem carne, eu compro um osso e ponho na sopa
E deixo andar, deixo andar

Fale de mim quem quiser falar
Aqui eu não pago aluguel
Se eu morrer amanhã, seu doutor
Estou pertinho do céu

Podem me prender, podem me bater
Podem até deixar-me sem comer
Que eu não mudo de opinião

Daqui do morro eu não saio não, daqui do morro eu não saio não...

Podem me prender , podem me bater, que eu não mudo de opinião, que eu não mudo de opinião...

Opinião - Nara Leão

terça-feira, maio 10

Não Te Deixes Roubar

Não tive oportunidade de participar no Protesto da Geração à Rasca, um evento que se revelou um enorme sucesso. Com algumas fontes a reportar a presença de 500 mil pessoas. Mais do que um verdadeiro protesto este evento pareceu um espécie de festival para miúdos e graúdos. As pessoas sentem-se incomodadas com a situação em Portugal e precisam de exteriorizar a sua revolta. Mas realmente as propostas e as reivindicações que poderiam ter saído de um fórum assim nunca se chegaram a materializar.

No passado 25 de Abril sim tive oportunidade de comparecer ao tradicional desfile que desce a Avenida da Liberdade. A comparação com a manif anterior era inevitável, e a conclusão nada animadora. O fim de semana grande afastou os comuns mortais da luta, ficou a malta proletária que habitualmente frequenta estas coisas. É pena que tão depressa nos tenhamos esquecido do poder do protesto.

De qualquer forma aqui fica o registo fotográfico desse dia. Gostei bastante do resultado, a técnica fotográfica usada acabou por combinar muito bem com o tema. Trata-se de filme de slide revelado com o processo cruzado. Além disso foi usado um filtro polarizador que ressaltou ainda mais as cores. O título deste desabafo corresponde a um dos registos que gosto mais do conjunto, onde um verdadeiro veterano da luta nos chama a atenção a todos.

sábado, março 19

Ontem & Hoje

O final do ano é sempre uma altura de balanço, avaliar a nossa direcção, avaliar se os nossos objectivos se aproximam ou afastam. Desta vez estas considerações só me assolaram já entrado o novo ano, e através de um processo lento de introspecção cheguei a uma conclusão que já conhecia. Quero e preciso de criar para me sentir bem, talvez ainda não tenha encontrado o meio, ou talvez ainda tenha de me aperfeiçoar muito mais, mas sei que é isso quero.

Sintomático deste interregno foi o destino do rolo a preto e branco que carreguei na minha GakkenFlex ainda em 2010. Só o acabei já em Março, depois de fazer uma foto aqui e ali. Embora tenha ficado um pouco desiludido com a revelação do filme (o contraste deixa um pouco a desejar) acho que as fotos revelam promessa para a lente de plástico. As imagens saíram secas e nostálgicas, invocando um passado distante que na realidade não existe.

terça-feira, janeiro 25

Dispersão

Perdi-me dentro de mim
Porque eu era labirinto
E hoje, quando me sinto.
É com saudades de mim.

Passei pela minha vida
Um astro doido a sonhar.
Na ânsia de ultrapassar,
Nem dei pela minha vida...

Para mim é sempre ontem,
Não tenho amanhã nem hoje:
O tempo que aos outros foge
Cai sobre mim feito ontem.

(O Domingo de Paris
Lembra-me o desaparecido
Que sentia comovido
Os Domingos de Paris:

Porque um domingo é família,
É bem-estar, é singeleza,
E os que olham a beleza
Não têm bem-estar nem família).

O pobre moço das ânsias...
Tu, sim, tu eras alguém!
E foi por isso também
Que me abismaste nas ânsias.

A grande ave doirada
Bateu asas para os céus,
Mas fechou-as saciada
Ao ver que ganhava os céus.

Como se chora um amante,
Assim me choro a mim mesmo:
Eu fui amante inconstante
Que se traiu a si mesmo.

Não sinto o espaço que encerro
Nem as linhas que protejo:
Se me olho a um espelho, erro -
Não me acho no que projeto.

Regresso dentro de mim
Mas nada me fala, nada!
Tenho a alma amortalhada,
Sequinha, dentro de mim.

Não perdi a minha alma,
Fiquei com ela, perdida.
Assim eu choro, da vida,
A morte da minha alma.

Saudosamente recordo
Uma gentil companheira
Que na minha vida inteira
Eu nunca vi... Mas recordo

A sua boca doirada
E o seu corpo esmaecido,
Em um hálito perdido
Que vem na tarde doirada.

(As minhas grandes saudades
São do que nunca enlacei.
Ai, como eu tenho saudades
Dos sonhos que sonhei!... )

E sinto que a minha morte -
Minha dispersão total -
Existe lá longe, ao norte,
Numa grande capital.

Vejo o meu último dia
Pintado em rolos de fumo,
E todo azul-de-agonia
Em sombra e além me sumo.

Ternura feita saudade,
Eu beijo as minhas mãos brancas...
Sou amor e piedade
Em face dessas mãos brancas...

Tristes mãos longas e lindas
Que eram feitas pra se dar...
Ninguém mas quis apertar...
Tristes mãos longas e lindas...

Eu tenho pena de mim,
Pobre menino ideal...
Que me faltou afinal?
Um elo? Um rastro?... Ai de mim!...

Desceu-me n'alma o crepúsculo;
Eu fui alguém que passou.
Serei, mas já não me sou;
Não vivo, durmo o crepúsculo.

Álcool dum sono outonal
Me penetrou vagamente
A difundir-me dormente
Em uma bruma outonal.

Perdi a morte e a vida,
E, louco, não enlouqueço...
A hora foge vivida
Eu sigo-a, mas permaneço...


Castelos desmantelados,
Leões alados sem juba...


Paris - maio de 1913.



Mário de Sá-Carneiro
Poemas Completos
Edição Fernando Cabral Martins
Assírio & Alvim
2001

quinta-feira, novembro 25

A Lente de Plástico

Ando muito feliz e contente com a minha nova câmara de brincar, a lente de plástico realmente tem uma qualidade mínima, mas produz imagens com um aspecto realmente vintage que me deixam encantado. Quando fiz a workshop Sprocket Rocket levei-a atrás, porque queria fazer mais fotos com ela, e também para mostrar a gente mais entendida para que me contassem a sua opinião. Trouxe um par de explicações e bons conselhos, e também deixei interesse. Fiquei feliz.

Fui fazendo algumas fotos, sem pressa, desde aí até agora. No fim-de-semana passado que fui de excursão a Marvão acabei o rolo "normal" que tinha posto, e experimentei a conjugação da óptica de plástico com um filme Redscale XR. Por um lado tenho pena de não ter fotos com uma qualidade maior das paisagens do lugar. Por outro lado adorei os céus alienígenas que capturei no Alentejo.

Ficam aqui as fotos que tirei entretanto. Prometo falar mais sobre Marvão, até porque segundo as estatísticas é uma palavra que provoca muitas aterragens neste blog, num artigo que escrevi em tempos.

sexta-feira, novembro 19

Ai Portugal, Portugal

A propósito de uma conversa aleatória com um estranho neste campo de batalha verbal que é a Internet, veio-me esta canção à memória. Não há melhor resposta aos profetas da desgraça que povoam esta nação sem auto-estima. Continua tão actual hoje como em 1982 quando Acto Contínuo, o álbum onde está contida foi lançado.


Tiveste gente de muita coragem
E acreditaste na tua mensagem
Foste ganhando terreno
E foste perdendo a memória

Já tinhas meio mundo na mão
Quiseste impor a tua religião
E acabaste por perder a liberdade
A caminho da glória

Ai, Portugal, Portugal
De que é que tu estás à espera?
Tens um pé numa galera
E outro no fundo do mar
Ai, Portugal, Portugal
Enquanto ficares à espera
Ninguém te pode ajudar

Tiveste muita carta para bater
Quem joga deve aprender a perder
Que a sorte nunca vem só
Quando bate à nossa porta

Esbanjaste muita vida nas apostas
E agora trazes o desgosto às costas
Não se pode estar direito
Quando se tem a espinha torta

Ai, Portugal, Portugal
De que é que tu estás à espera?
Tens um pé numa galera
E outro no fundo do mar
Ai, Portugal, Portugal
Enquanto ficares à espera
Ninguém te pode ajudar

Fizeste cegos de quem olhos tinha
Quiseste pôr toda a gente na linha
Trocaste a alma e o coração
Pela ponta das tuas lanças

Difamaste quem verdades dizia
Confundiste amor com pornografia
E depois perdeste o gosto
De brincar com as tuas crianças

Ai, Portugal, Portugal
De que é que tu estás à espera?
Tens um pé numa galera
E outro no fundo do mar
Ai, Portugal, Portugal
Enquanto ficares à espera
Ninguém te pode ajudar

Ai, Portugal, Portugal
De que é que tu estás à espera?
Tens um pé numa galera
E outro no fundo do mar
Ai, Portugal, Portugal
Enquanto ficares à espera
Ninguém te pode ajudar

Escrito e interpretado por Jorge Palma.

terça-feira, novembro 16

Chegou a Quadra do Consumo

Pois é, já estamos naquela altura do ano em que fazemos contas ao que vamos fazer com o subsídio de Natal. Sonhamos com a desejada prenda que vamos oferecer a nós próprios, e tentamos arranjar qualquer coisa de jeito para presentear a malta os familiares e amigos mais chegados.

Este ano quando vieram as primeiras chuvas a sério no fim de Outubro, as sarjetas estavam entupidas como sempre, mas o Município de Lisboa já andava a montar a luzes de Natal na Baixa. Enquanto na Rua das Portas de Santo Antão as pessoas que estavam dentro das lojas e restaurantes ficara com água até à cintura pelo menos os clientes já estavam a ser lembrados que estamos na altura do ano que é preciso gastar.

Eu cá este ano vou-me manter afastado de superfícies comerciais, grandes ou pequenas tanto faz. A invasão natalícia dá-me arrepios. A Amazon do Reino Unido fez um favor enorme a todos nós e já manda as encomendas de graça para vários países europeus incluindo Portugal. Claro que a encomenda precisa satisfazer certas condições, temos de gastar mais de £25 e os produtos têm de ser vendidos directamente pela própria Amazon. Mas é uma oferta excelente, creio que vou passar a utilizar (ainda mais) a loja virtual.

Já estou à caça das minhas contribuições como Pai Natal, a oferta é muita, e escolher é complicado. Mas pelo menos não sou ameaçado por uma manada em debandada para enrolar o seu embrulho. Além disso há coisas que são bem mais baratinhas, como os jogos por exemplo. E atenção que na semana que vem vai haver promoções especiais, numa iniciativa que eles chamam de Black Friday Deals Week.

quarta-feira, novembro 10

Workshop Sprocket Rocket

A mais recente novidade lomogáfrica foi apresentada com grande pompa e circunstância em simultâneo na Embaixada de Lisboa e do Porto. Chama-se Sprocket Rocket, e tem várias particularidades. As suas fotos são panorâmicas, o fotograma é mais ou menos igual a juntar duas fotos normais. Outra coisa interessante é que tem duas rodas, uma para avançar e outra para rebobinar o filme a nosso bel-prazer, permitindo assim fazer remisturas com o filme. Além disto ainda permite expor as perfurações do filme.

No passado fim-de-semana foi realizada uma workshop de apresentação da máquina e claro assim que as inscrições abriram lá fui eu reservar o meu lugar. Já havia participado noutra workshop da lomo, e desta vez a fórmula foi um pouco diferente. O preço era muito baixo, talvez de forma a permitir a todos conhecerem a nova menina. E os participantes organizaram-se em pares, partilhando os rolos, assim também se estimulava a utilização das capacidades da máquina. Eu fiz batota, levei o par já feito, porque participei com a minha cara-metade.

A primeira impressão que tive da máquina foi que está mesmo desenhada para fazer as coisas de que falei de forma prática e precisa. Já abusei muito dos mecanismos das máquinas normais de forma a fazer sobreposições e brincar com a ordem cronológica do filme. Mas a Sprocket Rocket permite-nos controlar tudo isso com precisão em vez de confiar na sorte. Já com os mecanismos para controlar a luz não posso dizer que tenhamos acertado porque houve muitas fotografias a perderem-se.

Foi uma tarde divertida, andámos às voltas pela baixa e tiramos algumas fotos. Não foram muitas porque os rolos de 36 fotos reduzem-se a metade com os panoramas. Quando tudo acabou e entregámos os rolos ficamos a aguardar com impaciência os resultados. Adorei mexer com a câmara. No final acabei por ficar um pouco desiludido, alguns dos fotogramas que tentei encenar perderam-se simplesmente, outros ficaram francamente maus. Param mim as fotos que melhor ficaram foram algumas sem muitos artifícios feitas pela minha namorada. De qualquer forma acho que vou querer mexer mais com a Sprocket Rocket.

A Gakken Flex

Aqui há dias andava a pôr as minhas leituras em dia quando encontrei no blog do Flickr um brinquedo que ainda não conhecia. Como sempre os artigos têm como base um punhado de fotos, neste caso tiradas com uma Gakken Flex e claro aproveitavam para apontar para o grupo onde os utilizadores desta máquina se concentram no Flickr. Não percebi muito bem o que era aquilo... mas como falavam em fotos analógicas maravilhosas (e realmente têm bom aspecto) lá fui investigar.

A primeira coisa que o Google me trouxe foi um relato sobre a montagem da câmara. A ideia fascinou-me de imediato, um kit para montar uma câmara fotográfica. A Gakken é uma editora que se dedicar à edição de produtos educativos e já lançou no mercado uma série de kits interessantes. Além da câmara, houve o gramofone, o sintetizador ou o theramin. Cada kit faz-lhe acompanhar de alguma documentação sobre o tema associado a essa edição.

Acabei por comprar no ebay uma cópia da Gakken Flex, porque o original já não estava disponível. Mas também comprei como prenda de anos para um meu amigo o sintetizador e posso dizer que em ambos os casos foi bastante recompensador o resultado. A montagem no caso do sintetizador foi muito breve. No caso da máquina levei bastante mais tempo, mas apenas porque à medida que seguia as instruções não estava a ser muito óbvio para mim como é que tudo aquilo iria funcionar, em particular o obturador. Mas seguindo à risca as instruções, e as fotos de quem já montou lá consegui chegar ao óbvio. Uma máquina perfeitamente funcional e muito divertida de montar.

Quando introduzi o primeiro rolo o receio era muito. Depois de despachar aquilo mais ou menos depressa, lá fui eu revelar as fotos sem saber muito bem o que esperar. Não saiu nenhuma obra de arte mas aparte de que se notam algumas deficiências na focagem até nem tão más de todo. Gostei do brinquedo, é bastante prático, e tem muita pinta, isso é de certeza. Agora depois de saber que aquilo funciona mesmo acho que vou tentar sacar umas coisas giras daquela lente de plástico!

quarta-feira, novembro 3

Dolce Far Niente

Este verão tive a oportunidade de ir passar uns dias ao Algarve. Tendo em conta que um caro amigo me ofereceu hospedagem em quase qualquer altura do ano, fui bastante idiota por aproveitar apenas um fim-de-semana de Agosto e uns dias já no fim da época balnear em Setembro. Mas mesmo assim valeu a pena. Apesar de levar planos, compromissos, sítios para visitar, acabei por me dedicar a não fazer nada. Dormir muito, pôr as leituras em dia, andar a pé e desfrutar da praia. Uma rotina a que é bastante fácil adaptar-se.

Não morro de amores por Albufeira, como a maior parte do Algarve a euforia da construção destruiu grande parte da beleza. O negócio de vender férias a bifes pobres que cá em Portugal tinham um poder de compra acima da média está-se a esgotar. A solução agora é vender férias em saldos a portugueses ou melhorar a qualidade. Mas se conseguirmos abstrair-nos do mau gosto e do ruído, é fácil perceber que há ali muito potencial.

Cara Lavada

Quem ainda de der ao trabalho de visitar este canto da rede com certeza já se apercebeu que esta casa levou uma demão nova de pintura. A fachada encontrava-se feia e desgastada, porventura um pouco desfasada dos dias de hoje. O objectivo foi rejuvenescer, abrir os horizontes e ao mesmo tempo optimizar o espaço. Espero que gostem, como é óbvio comentários e sugestões são bem vindos.

O template é mais leve, e optei por não incluir demasiada quinquilharia que tornasse a fachada pesada visualmente. Uma novidade é a inclusão de publicidade via Adsense, é só texto e acho que não está demasiado invasivo. Para quem se sente incomodado pela publicidade, tanto aqui como em qualquer outro sítio web existe uma solução bastante fácil à disposição de todos.

Isto por enquanto vai encher-se de velhas notícias, esteve abandonado, mas isso não quer dizer que faltassem as coisas para comentar ou para maldizer. Apenas faltava aquele esforço, pequeno mas extremamente importante, de reunir meia dúzia de pensamentos e dar-lhes forma. Entretanto o que pode acabar por acontecer é escrever freneticamente durante alguns dias e depois esquecer-me de novo, não estranhem. O futuro o dirá.

terça-feira, novembro 2

Festas dos Capuchos 2010

Este ano as tradicionais festas de Vila Viçosa tiveram uma nova fórmula. Houve uma separação entre o que poderia ser considerado o lado mais tradicional e familiar do arraial, e os excessos do barulho dos bares e da música. Acho que se alguma tranquilidade para quem não está interessado nos festejos etílicos, e uma melhor organização do espaço. Mas ao mesmo tempo perdeu-se um dos encantos da festa, o cruzamento entre gerações e grupos de pessoas diferentes que nesta fórmula, bem separados e demarcados, não se cruzam. Para mim este era um dos grande encantos da festa onde se acabávamos por confraternizar com gente diferente do grupo habitual. Segundo dizem por aí, haverá mais alterações, penso que é possível melhorar a ideia.

Escusado será dizer que estive mais envolvido na secção de folia do que noutra coisa qualquer... e como sempre com a minha Fisheye2 pronta para flashar os transeuntes mais distraídos.

sexta-feira, setembro 24

That Thing You Have

Dilbert.com

Demasiado bom para deixar passar! O Dilbert é mesmo a melhor coisinha que há para começar um dia de trabalho.

sexta-feira, julho 30

Uma Luta, Uma Mensagem


Aproveitem a vida e ajudem-se uns aos outros. Apreciem cada momento, agradeçam e não deixem nada por dizer.
António Feio

segunda-feira, julho 26

Maslow e o Facebook

No outro dia deparei-me com uma adaptação bastante engraçada das Teorias de Maslow sobre a motivação e as necessidades humanas ao uso da Internet no dia a dia. Trata-se de uma piada, mas é bastante aplicável até. A associação deixou-me a pensar.


Nesta versão do diagrama encontram lugar sobretudo os pretextos que nos fazem perder tempo na Internet. Coisas clássicas e intrigantes como a paixão dos utentes do youtube por vídeos de gatinhos. E claro está... reza a lenda que Internet floresceu por causa da pornografia. A última coisa a fazer é trabalhar!

O diagrama original também é uma pirâmide, mas a verdadeira teoria fala sobre as motivações para as nossas acções, e de forma mais importante sobre aquilo que pretendemos atingir. A ideia é que precisamos primeiro realizar as nossas necessidades mais básicas, como respirar, comer, sobreviver. Depois à medida que subimos na pirâmide as necessidades vão ficando mais abstractas. Nem toda a gente quer ser um sábio ou uma celebridade, há quem se contente com uma vida confortável. Mas qualquer um se pode facilmente identificar com as necessidades que estão previstas. Todos precisamos de ter alguém para fugir à solidão, todos queremos ser respeitados.


Mas a utilização da teoria e do diagrama no contexto da Internet fez-me pensar noutra coisa. Na obsessão de cada vez mais gente com as redes sociais, e afins. Ou até mesmo os jogos online. Num mundo como o nosso de profunda competição e instabilidade, será que as pessoas esperam obter a realização que precisam da Internet? Será que é por isso que é tão importante ter milhares de amigos no Facebook... que toda a gente goste das nossas ligações, e as nossas fotografias tenham muitos comentários? Nos jogos ainda é mais fácil estabelecer um paralelo, há muita gente por aí que passa horas em frente a um monitor em tarefas repetitivas para depois se poder gabar das suas aventuras virtuais, das suas posses virtuais, e do nível na hierarquia virtual.

É certamente mais fácil. Luta-se contra obstáculos que foram feitos para ser ultrapassados. Recompensas que foram feitas para ser ganhas. Mas será que estas realizações são mesmo reais ou apenas virtuais? De qualquer forma, parece-me uma boa explicação para as pessoas darem demasiada importância a coisas que não têm cabimento algum... Creio que a triste realidade é que as pessoas que dão demasiada importância à sua vida virtual acabam por ficar cada vez mais sozinhas no mundo real.

quinta-feira, junho 17

Santos & Populares

Soube bem voltar a pegar na olho de peixe, sinto-me descuidado, já não procuro tantos pretextos como antes para fotografa, desta vez será a participação no concurso de Santo António da Lomografia Portugal. Não tenho muitas expectativas, mas valeu a pena o registo de mais um ano de muito festejo, manjerico e contacto com transeuntes aleatórios. São tão giros os santos populares!

quarta-feira, junho 2

Curiosidades Tecnológicas Inúteis

Há muito pouca gente que tenha o hábito de escrever SMS em português correcto... Dá trabalho! Existe a escrita inteligente mas aquilo é uma seca, forçosamente é preciso andar a introduzir palavras no dicionário volta e meia. Depois já se desenvolveu uma espécie de calão em torno das abreviaturas, infelizmente até se confunde esse calão com o português. Substituir os c's por k's ou abusar dos x's fica tão feio... Eu até tento ser correcto, mas o resultado normalmente é algum texto breve e enigmático ou jogos de palavras ininteligíveis.

Mas além da pura preguiça há outra questão importante, existe um limite de caracteres. Esgotando esse limite a mensagem acabará por ser dividida em duas (ou nas que forem necessárias). No outro dia reparei num detalhe curioso, se escrevesse muitos caracteres acentuados o limite esgotava-se num ápice. E claro com a minha curiosidade natural lá fui procurar qual a razão (embora já desconfiasse). O distinto senhor que que inventou os SMS meteu na cabeça que tinha de atingir um certo limite de caracteres para que aquilo fosse minimamente útil. E estamos-lhe todos muito agradecidos por isso. O limite é 160 caracteres por mensagem, com o pequeno detalhe que o número de símbolos (as letras e os diacríticos mais usuais). Depois o resto consegue-se por composição de símbolos, qualquer coisa como "a + ~ = ã".

Eu fiquei contente porque adivinhei a raiz do meu problema (é usada uma codificação de caracteres com apenas 7 bits)... A utilidade prática é duvidosa, mas pelo menos descobri que para poupar nos SMS é preciso escrever mal!