terça-feira, junho 26

Blade Runner

Ontem um dos meus filmes preferidos fez 25 anos, para mim Blade Runner é uma das melhores longas metragens de sempre e mantém-se perfeitamente actual. Ridley Scott baseou-se numa das novelas de Phillip K. Dick, Do Androids Dream of Electric Sheep? para nos falar de um futuro que se revela cada vez mais próximo. A ficção científica não tem necessariamente de ter batalhas espaciais, tele-novelas épicas com sabres-luz, nem bicharada repulsiva e ansiosa por comer os protagonistas (ver Alien do mesmo realizador). Trata-se sim de investigar as repercussões sociais e eticas da evolução da tecnologia e pôr perguntas sobre as mudanças que o nosso mundo e nós vamos sofrer. Este filme põe perguntas profundas, sobre a própria natureza humana, e o que define a humanidade e a auto-consciência.

Podemos destacar do filme além da visão que ele nos dá para o futuro a mestria técnica evidenciada. Ainda hoje os efeitos especiais são impressionantes conseguindo criar ambientes realistas através de técnicas e esquemas que hoje em dia já foram quase postos de parte dando lugar à imagem gerada por computador. Os ambientes deste filme conseguem-nos transportar para uma realidade alheia, um futuro verdadeiramente credível e algo assustador. Até podemos reconhecer detalhes que já se tornaram realidade como os ecrãs gigantes que tomam toda a fachada dum edifício.

A premissa para o desenrolar da história é simples, no futuro seremos capazes de nos replicar a nós próprios, produzir andróides que são humanos em todos os sentidos. Menos na origem. Será que tal criatura pode ter alma? Sentir? Amar? Como é normal nos homens o conflito ocorre quando essas criaturas são segregadas pela diferença, não reconhecidas como iguais, relegadas para a submissão. Será que está assim tão longe o estádio da evolução humana em que deixaremos de conseguir controlar o que criamos? Ou até que consigamos criar alguma entidade mais inteligente que nós... Podemos encontrar um paralelo óbvio com a clonagem, mas podemos ir mais longe, o genoma humano já foi sequenciado quanto tempo falta até que consigamos produzir humanos sob encomenda? Como faremos depois para encarar as criaturas que criámos? Lidar com estas questões leva-nos a olhar para nós próprios e para as nossas limitações.

I've seen things you people wouldn't believe. Attack ships on fire off the shoulder of Orion. I watched C-beams glitter in the dark near the Tannhauser gate. All those moments will be lost in time, like tears in rain. Time to die.

4 comentários:

Anónimo disse...

Não leves a mal, mas de facto o BR foi até hoje a maior desilusão que tive em termos de filmes. Passo a explicar.

Nao vi o filme quando ele saiu no cinema, nem sequer em video. Ou seja, quando ele deveria ser visto. Vi depois, em DVD, quando havia já um mito a volta do filme, e a expectativa criada foi de longe muito superior à concretizada...

Enfim, uma desilusão, quer na estória, quer no making.

Mas se calhar, sou eu....

Nhécas disse...

Não sei qual será o caso, se o leitor será de uma geração diferente da minha, ou que lhe tenha passado ao lado o filme aquando do lançamento. A verdade é que eu também sou demasiado jovem para o ter visto no cinema. Vi-o ainda criança nos ecrãs de televisão, cortesia da RTP, canal único na altura.

A atmosfera de film noir futurista, e a personagem de Deckard (na altura para mim era o Indiana Jones no futuro) deixaram-me fascinado. À medida que cresci fui encontrando outra profundidade e outros significados à película. Mais tarde, já adulto, na posse de um cartão de crédito e de uma ligação à internet, foi um dos primeiros livros que encomendei da Amazon.

Será que os meios técnicos novos (animação por computador) ofuscam os truques de ilusionismo de outrora? Será que e as estruturas narrativas actuais (filme pipoca) deixam envergonhados os filmes antigos bons? Encontrei um bom paralelo, trata-se de ficção científica à mesma por isso estamos a falar do mesmo tipo de público. Um tipo um que nunca viu a trilogia original do Star Wars sentou-se a ver os seis filmes de seguida, pela suposta ordem em que devem ser vistos, os mais recentes primeiro. E segundo ele diz ficou muito impressionado com os efeitos especiais dos filmes novos, mas os filmes antigos tinham um argumento muito mais forte. Eu compartilho a opinião dele, a minha é apenas mais forte em alguns aspectos, como por exemplo, acho que o Jar Jar Binks devia ter sido um nado morto...

Enfim não lhe levo nada a mal, são gostos, mas ao contrário do que diz a frase feita acho que os gostos são discutíveis.

Anónimo disse...

São gostos, e acabamos de os discutir.

Nao gosto de pipocas.

Nao gostei dos star wars (novelas no espaço... ate tem a parte do outro que descobre que a outra é irma, e que o pai era o outro, etc...).

Gostei do Fight Club.
Gostei do Tigre e do Dragao.
Adorei o Mulholand Drive.

Mas nao podemos (nao devemos) gostar todos do amarelo, senao isto era uma chatice!

Nhécas disse...

Bom gosto sim senhor! Há muita gente que não gosta do Mulholand, dizem que aquilo não tem ponta por onde se pegue, que a história não faz sentido.

A interpretação que eu faço do filme é que se trata duma experiência, dum exercício para o espectador. David Lynch dá-nos os bocados e nós montamos a história que nos agradar mais na nossa cabeça, podia ficar horas (já fiquei) a discutir eventuais interpretações.