quarta-feira, junho 20

Fora de Catálogo

A propósito dos Shantal e Bucovina Orkestar, estava eu a tentar definir o seu estilo de música a alguém e como já disse anteriormente a comparação possível que me ocorreu foi a música de Emir Kusturica e dos No Smoking Orchestra. Ora para o meu interlocutor (no caso interlocutora) o realizador e músico também era desconhecido, depressa a conversa divagou para os méritos e talentos cinematográficos deste senhor. Em concreto fartei-me de falar do Underground, e do Gato preto, gato branco. Numa passagem pela Fnac, e num impulso consumista, dispus-me a comprar algum dos filmes para presentear a tal pessoa.

Fartei-me de procurar nas estantes e escaparates, estava na loja do Chiado, e a organização da secção de vídeo (pelo menos nessa sucursal é péssima). Parece que os filmes estão divididos por filmes em saldo, filmes americanos e filmes clássicos. As séries americanas também lá estão com grande destaque. Produção nacional? Nem vale a pena falar disso... Depois de procurar 10 minutos, a minha paciência esgotou-se, e dispus-me a esperar outros 10 para falar com a pessoa que estava a atender ao público nessa secção. Lá chegou a minha vez, e lá expus a minha questão. Andava à procura do "Gato Preto, Gato Branco" em concreto, muito atencioso e simpático o encarregado demonstrou saber de cinema, imediatamente (sem consultar o stock nem nada) me disse que o filme tinha saído de catálogo. A minha cara de estupefacção foi respondida com um certo ar resignado, não consegui evitar perguntar, "saiu de catálogo? isso quer dizer o que? já não se vende?" - "Pois, já saiu de catálogo à dois anos".

Eu frequento a Fnac porque mesmo assim são eles que me conseguem oferecer uma escolha mais ampla em termos culturais, e onde ainda se vão conseguindo encontrar as coisas. Mas mesmo assim a escolha é redutora, o mercado nacional está excessivamente populado com produção externa (mais concretamente americana). A desatenção à produção europeia, e pior ainda nacional é gritante. Outro exemplo disto tive-o à tempos antes dos CSS ficarem extremamente conhecidos e terem concertos marcados para Portugal era impossível comprar um CD deles (depois ainda se chateiam da malta arranjar as coisas em mp3 pirata). O que mais me chateia é que não encontro loja alguma que dê atenção a isto, o catálogo é todo o mesmo. A Valentim de Carvalho, loja e distribuidora nacional em declínio resolveu copiar tudo da Fnac, incluindo meter cafés dentro das lojas, quando na realidade o que deviam fazer era distinguir-se fornecendo um produto mais adequado ao mercado português que supostamente conhecem melhor. Mas não, acho que não, hoje em dia a Valentim não deve passar da subsidiária portuguesa da EMI. Mal por mal, ainda prefiro os franceses da Fnac que pelo menos são europeus.

Não sei se esta orientação para a produção americana (em termos de música e de audiovisual) e o desprezo pela produção nacional é um mal nacional. Mas estou seriamente inclinado a pensar que sim. O termo de comparação que posso usar com propriedade é o caso espanhol, onde o destaque dado à produção autónoma é incomparável. Importa mudar isto, se mais alguém discorda do estado de coisas hoje em dia, descruzem os braços e ponham-se em campo. Há coisas que podem ser feitas, coisas bastante simples como levantar a voz apenas. Apresentar uma reclamação ou ir aqui deixar a opinião.

3 comentários:

Anónimo disse...

A Fnac é belga, nao francesa. Por isso, gosta de bricar com os pequeninos, como Portugal...

Nhécas disse...

Pela informação que tenho a Fnac nasceu mesmo em França, ainda por cima foi fundada por dois antigos militantes trotskystas. Mas claro independentemente das origens todas as empresas que fazem parte de um oligopólio criam os seus vícios. Como o de ignorar os pequeninos...

Anónimo disse...

O artigo que o meu amigo apresenta é de facto factual. Mas a verdade é que o registo que tenho é que a Fnac é belga.

Seja como for, achei muito mais piada ao facto do artigo wiki dar o senhor fundador como trotskista do que a tudo o resto.

Em relação ao oligopolio, é a teoria dos mercados a funcionar...

Helas...