domingo, junho 4

A Música já Não é Objecto

Esta semana tive uma conversa um pouco nostálgica e ao mesmo tempo muito engraçada sobre os velhos tempos do CD e do vinil. Existe um ditado popular que diz, se queres perder um amigo empresta-lhe dinheiro. Com os discos era a mesma coisa. Um gajo comprava albúm novo dos não sei quê, aparecia logo aquele amigo, o não sei quantos, opá altamente tens de me emprestar isso e tal. Um gajo dizia logo, epá não dá, ainda agora o comprei ainda nem deu para ouvir como deve ser. Se o gajo tivesse boa memória e fosse insistente, a malta lá tinha dar o braço a torcer, e emprestar aquilo. Na altura de devolver é que eram elas. Passava-se um mês, dois meses, tar a perguntar pelas coisas parece mal, mas tinhamos de esquecer as boas maneiras, ò man então aquele albúm dos não sei quantos que eu te emprestei não sei quando. Xiii, não sei, deve tar lá pra casa, tenho de procurar isso. Os meses iam passando,e a coisa começava a mudar de contornos, então o disco, já o encontraste? Pois pá, é assim... acho que o emprestei ao não sei das quantas. E pronto, aí já podíamos dar o caso como encerrado, e dar aquilo por perdido porque era certo que nunca lhe íamos por a vista em cima. Tempos passados, e após já termos esquecido a história toda, às vezes davam-se situações engraçadas do género, ir-se visitar a casa do bacano começar a olhar para a estante do gajo e de repente... Ora bolas! Aquilo ali não é meu? Resposta invariável: Humm... não sei bem, mas acho que não... acho que foi a não sei quantas, sabes aquela míuda com que eu andei à uns anos que me deu esse disco de prenda... tu também tinhas um não tinhas? Depois a única solução era mandar o tipo pó raio que o parta.

Este diálogo foi no gozo e rimos à gargalhada a recordar velhos tempos. Sim velhos tempos, porque a realidade hoje é outra. Sintoma do aparecimento dos suportes digitais a música dissociou-se do seu suporte físico. Em tempos idos uma faixa, uma canção vinha num disco, para a ouvirmos tinhamos de possuir o disco, ou então fazer uma cópia ranhosa para cassete (ranhosa é como quem diz, perecível que aquilo nunca durava muito). Hoje já não é assim como eu descrevi, já não é "empresta-me aí" agora a expressão é "tens de me gravar". A mudança surgiu com os primeiros gravadores de CD. Agora nem isso é necessário, o MP3 está disponível para toda a gente. Eu encaro isto como uma coisa boa, excelente até, todos podem ter acesso à música. É muito mais fácil mostrar aos amigos o som que se anda a curtir no momento. Mesmo para as próprias bandas é bom porque é mais fácil espalharem o seu produto e encontrarem os seus consumidores (fãs). Os únicos que não acharam graça foram as editoras claro. Quem produzia, vendia e controlava o tais objectos da música. Em minha opinião as editoras independentes, que trabalham, investigam, procuram novos talentos na sua ârea de influência essas continuam a ter lugar. Os grandes, os que fabricam sucessos, promovem ídolos, e compram as playlists, esses sim têm razões para estar seriamente preocupados.

1 comentário:

Tiago disse...

Ri-me quando tivemos a conversa e ri-me agora qnd li o post! Essa n é a tua maneira subtil de me pedires de volta o cd da Fiona Aplle pois nao? :D Ja sabes que so to devolvo qnd me emprestares o dos Pearl Jam :D