quinta-feira, março 16

Eles querem é a guita

A Associação Fonográfica Portuguesa (AFP) lançou agora uma campanha contra a pirataria digital, prometem começar a perseguir a malta que faz downloads ilegais. O principal vector de actuação aparentemente são as acções judiciais contra os infractores. Não consegui encontrar nenhuma informação útil nesse campo, mas estou cheio de curiosidade sobre a forma como os supostos infractores são detectados, e que tipo de prova vai ser apresentado perante os tribunais para suportar estas queixas.

Como é normal as instituições em Portugal andam a reboque do que se faz lá fora. Ao fim de algum tempo acaba-se por copiar o exemplo externo, seja ele bom ou mau. A RIIA ficou famosa desde que começou a meter processos a torto e a direito à uns anitos. O suposto objectivo é proteger os artistas dos infames piratas, os ladrões que andam a tirar o pão da boca aos artitas. A venda de discos baixou, e só pode ser culpa da pirataria. Isto pelo menos é a história que é vendida cá para fora, mas que está a acontecer na realidade? A venda de cd's baixou, mas as lojas virtuais como o iTunes estão a prosperar. Há quem já tenha prognosticado a morte do cd, e o que parece é que as editoras estão desesperadamente a defender o seu papel como intermediários (e os seus lucros) na indústria musical.

Mas também há o outro lado da moeda, num país como os Estados Unidos que a justiça até funciona, as pessoas rotuladas como piratas podem responder. Muitos dos casos interpostos pelas editoras não deram em nada, simplesmente não conseguiram apresentar provas cabais para o acto de delito. Um dos ultimos desenvolvimentos foi a apresentação dum processo contra várias editoras acusando-as de manipulaçao de preços.

Vamos examinar os factos, um cd não custa praticamente nada a produzir, mas no entanto são bastante caros. E mais, curiosamente parece que todas as editoras utilizam as mesmas tabelas de preços. Não sei qual é a percentagem do preço do disco que chega ao artista, mas acredito que seja pequeno. Outra coisa a que a editoras nos conseguiram habituar foi a comprar coisas que já são nossas. Passo a explicar, dou um exemplo meu, mas creio que esta situação deve ser familiar a muita gente. Sou fã dos Nirvana, tive o "Nevermind" em vínil algum tempo depois de sair. A malta quando é jovem não tem cuidado com as coisas e o vínil é frágil. Quando tive leitor de cd's lá fui comprar de novo um dos meus albuns preferidos. A verdade é que hoje em dia já não sei onde anda o cd, o mais provável é ter emprestado e nunca mais o ter visto. Que é que tenho de fazer se quiser ouvi-lo de novo? Comprar de novo o cd para engordar os senhores da editoras, claro... Mas eu não vou nisso, já tenho os mp3 piratas, e acho que tenho todo o direito para os ouvir.

1 comentário:

Silvia disse...

VIVA A PIRATARIA!!!